terça-feira, 14 de abril de 2015

CARREGUE A SUA PRÓPRIA MOCHILA

Quando somos metades de um casal, uma certa consciência da nossa força e inteligência se apaga

Por Maya Wolf






Quando se está com um homem, é fácil se encostar nele. Esquecer a nossa força e capacidade. Virar umas “tontas”.

É comum perder a consciência de quem somos, do significado de sermos mulheres, parceiras. Não é raro virarmos meio empregadas, submissas, prostitutas ou dependentes.

Primeiro, pensamos que ele era o herói, príncipe ou salvador. Depois, nós o colocamos nesse papel. Na maioria das vezes, contudo, ele é também um imaturo, com suas fragilidades, com seus detalhes, com suas contradições e desafios. Ele mente e engana. Ele é um “braço-curto”. Ele é um promíscuo. E não é muito fácil se dar conta disso.

Interessante é que, quando somos metades de um casal, uma certa consciência da nossa força e inteligência se apaga. “Ele devia” cuidar das coisas. “Ele devia” carregar nossa bagagem e compras. Com sorte, “ele” traz dinheiro e sustenta a casa. E nós nos encaixamos numa vida de deveres, ocupações e concessões sexuais. Fazemos vista grossa para o que não queremos ver e que destruiria a estrutura da relação em que nos moldamos.

Mas somos fortes. Somos sábias. Podemos cuidar de nós e viver sentimentos e emoções satisfatoriamente. Ironicamente, esse tipo de consciência, muitas vezes, nasce da gente ter sido machucada (ou desprezada, ou enganada) e, então, acaba sendo conduzida a encontrar sua própria força interna pra assumir a sua vida e as suas escolhas.

Creia que esse momento de se sentir “dona de si” vai chegar, se é que ainda não chegou. Antes disso acontecer, no entanto, pode haver muito que chorar, muita coisa pra sarar. Pois você ainda se sente despedaçada, contraditória, maluca.

A dor é intensa, porque você abriu mão de quem você era, já para entrar na relação. E agora, precisa se resgatar. Mas agora que dói, você transformou o cara no bandido e você, na vítima. Sente como se ele tivesse lhe roubado algo.

Suas amigas talvez ajudaram nisso, porque elas têm raiva do que ele fez e não querem que você sofra. Então elas tentam fazer brincadeiras e dizem coisas terríveis sobre ele (e sobre os homens em geral), porque elas querem que você se sinta melhor. O que ajuda momentaneamente, mas não quando você vai pra casa e as recordações te aprisionam.

Afinal, ele também era um garoto. Ele era fraco. Mimado. Talvez até, sem caráter. Ele não podia dar o que não tinha nem pra si...

Tudo o que você tem, então, é você. Mas não duvide de que isto é muito, muito mais que suficiente. Suficiente pra você não se deixar levar pelo primeiro K.O. sentimental. Para ser uma parceira, lado a lado, de verdade, no futuro. Não mais empregada, não mais troféu. Jamais se esquecendo de que isso também está subentendido na palavra 'parceria' e em encontrar um parceiro de verdade.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AMIZADE DE EX

Nossa história acabou, mas a minha vida não

Por Maya Wolf




Eu já decidi que não quero ser uma dessas, felizes por fora, rancorosas e machucadas por dentro. Não quero agir desmesuradamente, nem por vingança, nem por conformismo. Estou tentando ponderar, apesar da turbulência que as suas ações criaram pra mim.

Em nome disso, tinha decidido continuar amiga. Mas eu não sei o que você quer de mim. Acho que não entendeu os termos dessa amizade. Você insiste em me seguir no Face, em comentar minhas postagens, em referir-se a mim como se tudo estivesse bem.

Não está. Você me diz “bom-dia” e me pergunta como vou. Quer saber? Não sei como vou. Vou indo.

Nossa história acabou, mas a minha vida, não. Por isso, não estou recomeçando. Estou seguindo.

Talvez você espere que eu o absolva, por isso fica me cercando. Que quer ouvir de mim? “Ainda bem que você dormiu com aquelas duas biscates e me colocou pra escanteio, assim tive a chance de recomeçar”? Sorry, não tenho essa grandeza. Não tenho essa vontade.

Alguns de nós, gostam de ser apreciados. Gostam de lealdade. Sei lá por quê! Por ter ficado perto? Por ter aberto o coração e a alma, talvez...


Não sofro pela ingratidão, porque tudo que fiz foi fruto de livre-arbítrio. Só acho que agir como “amiguinhos” não tem nada a ver. Sua conduta foi uma traição não apenas ao amor, mas principalmente à amizade.

Quer mesmo ser meu amigo? Tudo bem. De longe.


Mas penso que você nem sabe mais quem sou. Já soube, algum dia?

Enfim, você se surpreenderia, porque vou mudando. Ser como sempre fui, manter-me numa forma, seria um tipo de prisão. Segurar o que muda pela própria força da Natureza é um esforço bobinho. O bom é perceber o que temos pra viver e viver positivamente.

É desse jeito que procuro seguir. Continuar vivendo, dar qualidade aos dias vividos.

Sei que você confunde a sua incapacidade de começar e manter um relacionamento prolongado e prazeroso, com senso de liberdade. Não é por que você não consegue ficar com o amor, que o amor é algo ruim e escravizante. Isso é só mais uma desculpa que você dá pra si. Mas eu, não...