Está cada vez mais comum as pessoas fazerem sexo antes de saber o nome da outra. Pular do desejo para sua realização, sem se preocupar com mais nada
Por Maya Wolf
Muita coisa hoje na sociedade e nos meios de comunicação tem a ver com sexo. Com atrair outra pessoa – quase sempre por meio de atributos físicos e com o fim obrigatório de ir para a cama, o banheiro mais próximo ou o carro, mesmo (se houver e couber).
Está cada vez mais comum as pessoas fazerem sexo antes de saber o nome da outra. Pular do desejo para sua realização, sem se preocupar com mais nada.
A propaganda de cosméticos, calçados e vestuário traz montanhas de ideias sobre como se tornar mais atraente para um homem. Revistas contém toda espécie de dicas para melhorar as chances de estar com alguém, criar uma oportunidade de interação que leve à transa.
Se o que você quer é um pênis por uma noite, acho que o assunto termina aqui. Você já conseguiu o que quer: sentir-se desejada e passar umas horas com um sujeito que acabou de conhecer, sair fora na manhã seguinte, sem vínculo e sem remorsos.
Mas se você quer um namorado ou algo mais profundo, talvez esteja fazendo isso do jeito errado. Para muitas, apaixonar-se dá trabalho demais e sempre pode levar a uma alta dose de frustração. Mas tem o lado compensador, quando se acha alguém que realmente vale a pena.
Só que isso pressupõe mais que uma bunda gostosa e uma progressiva no cabelo. Relações duradouras não se baseiam só em tesão instantâneo, mas em interesse mantido, em conversas renovadas, valores compartilhados, encantamento permanente, decisão madura.
Então, a primeira pergunta pra uma mulher fazer a si mesma é: o que é que eu quero?
A segunda é: o que é que ele quer? Bom, isso já é assunto pra outro post.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
segunda-feira, 21 de julho de 2014
O SALÃO DOS REJEITADOS
A opinião pública pode ser um teste, um termômetro, mas não uma medida absoluta
Por Maya Wolf
Entre 1667 e a Revolução Francesa, quem era quem na arte europeia expunha seus quadros no Salão Oficial de Paris, no Louvre. Os temas aceitos eram os históricos, mitológicos, enfim, tudo muito tradicional.
Na segunda metade do século 19, alguns artistas resolveram mudar o jeito de fazer arte. Escolhiam temas aparentemente prosaicos para suas telas, como bêbados, pessoas comuns num barco ou piquenique, mães passeando com crianças, mulheres em despojada nudez. A luz natural foi valorizada. Mas seus quadros foram recusados pela organização do Salão Oficial.
Como resolver isso? Os recusados fizeram, eles próprios, o Salão dos Recusados, que passou a acontecer nos anos seguintes, como um evento alternativo. Desse modo, sua arte foi sendo reconhecida e admirada. Eles ficaram conhecidos como “impressionistas” (Manet, Monet, Pissarro e outros que hoje ninguém duvida de que foram artistas de verdade).
Às vezes a gente se sente “por baixo” e inverte as coisas, acha que precisa do reconhecimento alheio para ganhar confiança em si. Acha que é o apoio externo que vai revelar o grau de importância do que fazemos.
Para uma mulher, esperar a aprovação de um homem é um jeito comum de se avaliar por menos. Mas pense bem, quantas vezes você duvidou do bom gosto de um homem? De sua inteligência? Esqueça as ocasiões em que estava carente a achava tudo nele perfeito e lindo, tá?...
De fato, a opinião pública pode ser um teste, um termômetro, mas não uma medida absoluta do que devemos ou não devemos fazer.
Posar disso ou daquilo pros outros, é nuvem de fumaça. (Até gosto de agradar, mas não ajo somente pra isso. A gente deve agrado a si mesma, antes de qualquer outra pessoa.)
Para mim, há pureza nisso, em acreditar numa ideia que se teve e que parece boa. Não se esconder de si na falta de apoio alheio, diminuir a própria inteligência e competência em inseguranças de mulherzinha. Eu cresci.
Por Maya Wolf
Entre 1667 e a Revolução Francesa, quem era quem na arte europeia expunha seus quadros no Salão Oficial de Paris, no Louvre. Os temas aceitos eram os históricos, mitológicos, enfim, tudo muito tradicional.
Na segunda metade do século 19, alguns artistas resolveram mudar o jeito de fazer arte. Escolhiam temas aparentemente prosaicos para suas telas, como bêbados, pessoas comuns num barco ou piquenique, mães passeando com crianças, mulheres em despojada nudez. A luz natural foi valorizada. Mas seus quadros foram recusados pela organização do Salão Oficial.
Como resolver isso? Os recusados fizeram, eles próprios, o Salão dos Recusados, que passou a acontecer nos anos seguintes, como um evento alternativo. Desse modo, sua arte foi sendo reconhecida e admirada. Eles ficaram conhecidos como “impressionistas” (Manet, Monet, Pissarro e outros que hoje ninguém duvida de que foram artistas de verdade).
Às vezes a gente se sente “por baixo” e inverte as coisas, acha que precisa do reconhecimento alheio para ganhar confiança em si. Acha que é o apoio externo que vai revelar o grau de importância do que fazemos.
Para uma mulher, esperar a aprovação de um homem é um jeito comum de se avaliar por menos. Mas pense bem, quantas vezes você duvidou do bom gosto de um homem? De sua inteligência? Esqueça as ocasiões em que estava carente a achava tudo nele perfeito e lindo, tá?...
De fato, a opinião pública pode ser um teste, um termômetro, mas não uma medida absoluta do que devemos ou não devemos fazer.
Posar disso ou daquilo pros outros, é nuvem de fumaça. (Até gosto de agradar, mas não ajo somente pra isso. A gente deve agrado a si mesma, antes de qualquer outra pessoa.)
Para mim, há pureza nisso, em acreditar numa ideia que se teve e que parece boa. Não se esconder de si na falta de apoio alheio, diminuir a própria inteligência e competência em inseguranças de mulherzinha. Eu cresci.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
JEITOS DE SE RELACIONAR A DOIS
As pessoas permanecem casadas porque querem
Por Maya Wolf
É bom que uma história comece com emoção. Paixão.
Mas pra ela continuar, existem outras possíveis fases do relacionamento. Talvez não as queiramos. Nem sempre vamos viver todas elas. Nem todos os homens as desejam para si. Nem todos estão prontos, nem todos seriam bons parceiros. Mas é bom tê-las em perspectiva.
Antigamente, havia uma série de rituais familiares e sociais para um relacionamento. Flerte, namoro, pedido de autorização da família, convivência, noivado, casamento. Era um sistema falível, muitas vezes não funcionava como esperado. Mas pelo menos dava algum tipo de referência sobre como proceder.
Isso mudou ultimamente, mas ainda se pode observar quatro formas básicas de se relacionar com um parceiro:
Emoção / PaixãoSeguir essa trilha não é um processo de “fechar o cerco” em torno do outro. As pessoas permanecem casadas porque querem e, não, porque as portas estão fechadas, como disse Paul Newman. A frase é citada no livro de Yann-Brice Dherbier e Pierre-Henri Verlhac, Paul Newman: A life in pictures. O ator foi casado com Joanne Woodward (a Mulher-Gato da antiga série do Batman) de 1958 até 2008, ano de sua morte.
Sentimento
Compromisso
Coabitação
Relacionamentos duradouros não se baseiam apenas em paixão, porque paixão é um estado necessariamente mutável. A gente se apaixona e desapaixona. Muitas vezes, até, pela mesma pessoa.
Quando experimentamos sentimentos mais fundos, surge o desejo de compromisso, de se envolver mais intimamente com o outro e com a sua vida.
E essa convivência mais longa pode ser em casas diferentes ou na mesma casa. O que vai definir isso é o contexto em que cada um vive, suas características psicológicas e familiares. E o estar disposto a assumir realmente uma vida nova e cuidar das questões do dia-a-dia, junto com a outra pessoa. O que costuma ser um desafio para a maioria e é onde se descobre o quanto se quer aquilo que se quer.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
TRILOGIA DA TRAIÇÃO III: O FUNDO DO POTE
Traição é um ato concreto, deslealdade é falta de caráter
Mas o processo pode ser difícil. Quando um namoro ou casamento termina, a gente precisa esvaziar o pote, porque em geral se sente lotada de emoções pesadas de carregar: raiva, tristeza.
O ego é atingido: “Fui trocada?” “Ele se desinteressou de mim? Como?” O ego é o primeiro responsável pela dor que se sente. Ele quer culpar alguém, não quer ver que o fim era previsível, não quer sair das suas ilusões, quer voltar a se sentir “por cima”. Não aceita que a mudança pode ter sido algo bom, afinal.
Mas mesmo quando nosso melhor humor vai ressurgindo, às vezes pode restar algo no fundo do pote que continua lá. Pontiaguda e cortante, impedindo que vejamos o outro do mesmo modo que víamos antes. É a deslealdade. Não é a só infidelidade, mas a deslealdade, a mentira deliberada, persistente e insensível que enfim se descobriu. Traição é um ato concreto, deslealdade é falta de caráter.
A deslealdade enfeia qualquer história bonita. Se conhecer as armadilhas do ego, você até consegue superar o orgulho ferido. Mas sentir que seus laços com o outro eram de verdade só do seu lado, que a outra parte era falsa e que o que dizia era falso, destrói algo mais sério. Destrói sua confiança, faz questionar o seu senso de realidade. Pode torná-la desconfiada ou arredia.
Procure, ainda assim, não perder a parte melhor da realidade junto com a mais cortante, num ceticismo doentio. O matemático e físico Henri Poincaré afirmou que duvidar de tudo ou acreditar em tudo são duas estratégias convenientes, mas que nos dispensam da necessidade de refletir. Nenhum dos extremos previne erros.
A vida quer que você tire de suas experiências um ensinamento, não, um misto de desesperança e secura afetiva. Foi um tombo. Enxugue as lágrimas e limpe a poeira da roupa. Aprenda e siga.
Por Maya Wolf
A vida às vezes tira uma pessoa da sua frente, para que você enfim se veja. Ou para que possa encontrar alguém mais compatível com você. Se você evoluiu e o parceiro não, isso pode acontecer. (E vice-versa.)
O ego é atingido: “Fui trocada?” “Ele se desinteressou de mim? Como?” O ego é o primeiro responsável pela dor que se sente. Ele quer culpar alguém, não quer ver que o fim era previsível, não quer sair das suas ilusões, quer voltar a se sentir “por cima”. Não aceita que a mudança pode ter sido algo bom, afinal.
Mas mesmo quando nosso melhor humor vai ressurgindo, às vezes pode restar algo no fundo do pote que continua lá. Pontiaguda e cortante, impedindo que vejamos o outro do mesmo modo que víamos antes. É a deslealdade. Não é a só infidelidade, mas a deslealdade, a mentira deliberada, persistente e insensível que enfim se descobriu. Traição é um ato concreto, deslealdade é falta de caráter.
A deslealdade enfeia qualquer história bonita. Se conhecer as armadilhas do ego, você até consegue superar o orgulho ferido. Mas sentir que seus laços com o outro eram de verdade só do seu lado, que a outra parte era falsa e que o que dizia era falso, destrói algo mais sério. Destrói sua confiança, faz questionar o seu senso de realidade. Pode torná-la desconfiada ou arredia.
Procure, ainda assim, não perder a parte melhor da realidade junto com a mais cortante, num ceticismo doentio. O matemático e físico Henri Poincaré afirmou que duvidar de tudo ou acreditar em tudo são duas estratégias convenientes, mas que nos dispensam da necessidade de refletir. Nenhum dos extremos previne erros.
A vida quer que você tire de suas experiências um ensinamento, não, um misto de desesperança e secura afetiva. Foi um tombo. Enxugue as lágrimas e limpe a poeira da roupa. Aprenda e siga.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
MULHER OUVE O QUE QUER
O amor “romântico” é bem mais obsessivo e individualista do que se quer admitir
Por Maya Wolf
Graças a isso, quando nos apaixonamos, nossa mente prega peças.
Queremos apenas ver a perfeição de um sentimento puro e maravilhoso quando, em geral, somos atraídas por alguém com atributos específicos, muito concretos e ligados à realidade cotidiana. Ele tem certo tipo físico, idade entre “x” e "y", veste-se de certo modo e frequenta tal ou qual lugar, é de uma determinada faixa socioeconômica. Há aspectos culturais, religiosos, sexuais, estéticos, familiares e morais envolvidos – mais do que em geral se considera. Se ele ronca ou fala dormindo, vai descobrir quando dormirem juntos.
Isso tudo joga a realização de um ideal ou sonho dourado bem no meio da realidade cotidiana. Mas, frequentemente, ignoramos isso porque somos mulheres apaixonadas, vemos e ouvimos o que queremos ver e ouvir.
Em geral, uma mulher apaixonada ouve basicamente quatro coisas, dependendo da fase do relacionamento em que se encontra. Ou seja, traduz tudo o que é dito, balbuciado e até roncado na madrugada, como:
“Ele quer ficar comigo.”
“Ele quer ficar só comigo.”
“Ele quer ficar só comigo por muito tempo.”
“Ele quer ficar só comigo por toda a vida.”
Nada contra. Nada de condenar o romantismo por si mesmo. Mas o fato é que o amor “romântico” é bem mais obsessivo e individualista do que se quer admitir. O “pensar no outro” traz sempre uma imensa dose do “pensar em si”.
E não só ignora aspectos da realidade, como a distorce. Que leva ao “querer as coisas do seu jeito”. Que leva a “torcer a realidade pra ficar do seu jeito”...
Frase conhecida da escritora Anaïs Nin em Seduction of the minotaur (Sedução do minotauro) diz que não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos. Idem, muito idem mesmo, nesse caso, para ouvir.
terça-feira, 1 de julho de 2014
TRILOGIA DA TRAIÇÃO II: É POSSÍVEL PERDOAR?
Traição, seja como for, sempre se traduz por um ato
Por Maya Wolf
As pessoas costumam chamar muitas coisas de traição. A famosa “pulada de cerca” é uma delas. Mas beijo, encontro, até conversa virtual pode ser traição, dependendo do combinado e do que se fez.
Traição, no entanto, seja como for, sempre se traduz por um ato. A violação de um contrato, a quebra de uma promessa. Em geral, não se considera traição algo que foi apenas pensado ou desejado e não realizado.
É possível perdoar e recomeçar? Depende. Vamos dar uma olhada nessas duas situações hipotéticas e diferentes.
Situação 1: O Cara 1 saiu com uma ex, uma vez, e eles transaram. Ele chega e confessa. Você percebe que ele está constrangido e quer que você saiba a verdade, mesmo ciente de que haverá consequências.
Situação 2: O Cara 2 conhece uma mulher. Saem uma, duas, três vezes... dormem juntos... até que vira um caso. Ele engana você pra continuar com ela e age como se nada estivesse acontecendo. Você acha que a qualidade da relação de vocês mudou, começa a imaginar que há outra na história e acaba descobrindo que sim.
A Situação 1 é um caso simples de traição, conforme definido acima. A traição que persiste no tempo, no entanto, já é outro caso. E é onde começamos a pensar sobre a deslealdade, como a da Situação 2.
A Situação 1 pode significar que ele é infantil, fraco, ou, mesmo, que não ficou claro entre vocês o que pensam sobre certo e errado. Que cedeu a um impulso, curiosidade ou oportunidade.
A Situação 2 indica que ele é uma pessoa daninha e não tem caráter. Ele está sacaneando você e quer fazer parecer que está tudo certo, pra continuar com as duas.
O Cara 1, por mim, receberia uma conversa e uma real segunda chance. Se isso ajudar, o psicanalista e psiquiatra Luiz Alberto Py escreveu que a traição deve ser encarada como um problema de quem trai e, não, de quem foi traído.
O Cara 2 é um mentiroso, superficial, covarde. Só perdoe se puder aceitar o que ele é e conviver com isso.
Por Maya Wolf
As pessoas costumam chamar muitas coisas de traição. A famosa “pulada de cerca” é uma delas. Mas beijo, encontro, até conversa virtual pode ser traição, dependendo do combinado e do que se fez.
Traição, no entanto, seja como for, sempre se traduz por um ato. A violação de um contrato, a quebra de uma promessa. Em geral, não se considera traição algo que foi apenas pensado ou desejado e não realizado.
É possível perdoar e recomeçar? Depende. Vamos dar uma olhada nessas duas situações hipotéticas e diferentes.
Situação 1: O Cara 1 saiu com uma ex, uma vez, e eles transaram. Ele chega e confessa. Você percebe que ele está constrangido e quer que você saiba a verdade, mesmo ciente de que haverá consequências.
Situação 2: O Cara 2 conhece uma mulher. Saem uma, duas, três vezes... dormem juntos... até que vira um caso. Ele engana você pra continuar com ela e age como se nada estivesse acontecendo. Você acha que a qualidade da relação de vocês mudou, começa a imaginar que há outra na história e acaba descobrindo que sim.
A Situação 1 é um caso simples de traição, conforme definido acima. A traição que persiste no tempo, no entanto, já é outro caso. E é onde começamos a pensar sobre a deslealdade, como a da Situação 2.
A Situação 1 pode significar que ele é infantil, fraco, ou, mesmo, que não ficou claro entre vocês o que pensam sobre certo e errado. Que cedeu a um impulso, curiosidade ou oportunidade.
A Situação 2 indica que ele é uma pessoa daninha e não tem caráter. Ele está sacaneando você e quer fazer parecer que está tudo certo, pra continuar com as duas.
O Cara 1, por mim, receberia uma conversa e uma real segunda chance. Se isso ajudar, o psicanalista e psiquiatra Luiz Alberto Py escreveu que a traição deve ser encarada como um problema de quem trai e, não, de quem foi traído.
O Cara 2 é um mentiroso, superficial, covarde. Só perdoe se puder aceitar o que ele é e conviver com isso.
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