segunda-feira, 21 de julho de 2014

O SALÃO DOS REJEITADOS

A opinião pública pode ser um teste, um termômetro, mas não uma medida absoluta

Por Maya Wolf




Entre 1667 e a Revolução Francesa, quem era quem na arte europeia expunha seus quadros no Salão Oficial de Paris, no Louvre. Os temas aceitos eram os históricos, mitológicos, enfim, tudo muito tradicional.

Na segunda metade do século 19, alguns artistas resolveram mudar o jeito de fazer arte. Escolhiam temas aparentemente prosaicos para suas telas, como bêbados, pessoas comuns num barco ou piquenique, mães passeando com crianças, mulheres em despojada nudez. A luz natural foi valorizada. Mas seus quadros foram recusados pela organização do Salão Oficial.

Como resolver isso? Os recusados fizeram, eles próprios, o Salão dos Recusados, que passou a acontecer nos anos seguintes, como um evento alternativo. Desse modo, sua arte foi sendo reconhecida e admirada. Eles ficaram conhecidos como “impressionistas” (Manet, Monet, Pissarro e outros que hoje ninguém duvida de que foram artistas de verdade).

Às vezes a gente se sente “por baixo” e inverte as coisas, acha que precisa do reconhecimento alheio para ganhar confiança em si. Acha que é o apoio externo que vai revelar o grau de importância do que fazemos.

Para uma mulher, esperar a aprovação de um homem é um jeito comum de se avaliar por menos. Mas pense bem, quantas vezes você duvidou do bom gosto de um homem? De sua inteligência? Esqueça as ocasiões em que estava carente a achava tudo nele perfeito e lindo, tá?...

De fato, a opinião pública pode ser um teste, um termômetro, mas não uma medida absoluta do que devemos ou não devemos fazer.

Posar disso ou daquilo pros outros, é nuvem de fumaça. (Até gosto de agradar, mas não ajo somente pra isso. A gente deve agrado a si mesma, antes de qualquer outra pessoa.)

Para mim, há pureza nisso, em acreditar numa ideia que se teve e que parece boa. Não se esconder de si na falta de apoio alheio, diminuir a própria inteligência e competência em inseguranças de mulherzinha. Eu cresci.

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