segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

QUANDO CALA O SENTIMENTO E FALA O DIREITO

Assim que se cansarem, o ser real dos dois vai se mostrar

Por Maya Wolf



As pessoas ficam gentis e flexíveis, quando estão num relacionamento de que gostam. Criam ocasiões de estarem bem juntas, fazem coisas que consideram agradáveis, falam de sonhos e de histórias que são ouvidas com atenção e doçura, expressam isso em público.


Até que o relacionamento azede. Pelo tédio, pelo descuido. Pelo desamor. Pelas intromissões alheias. E quando isso acontece, um sinal muito nítido vai surgindo: as pessoas falam cada vez menos em sentimentos e cada vez mais em direitos.


Aonde podem ir e quando, com quem podem ou não podem estar, sobre o que podem resolver sem consultar o outro...


Até que o relacionamento termine e só reste falar sobre o que fica com um e com o outro. Enfim, até que só reste defender os próprios direitos.


A frieza, a dureza dessas decisões, algumas vezes, assusta. Então, eu pergunto: que sentimento era aquele, afinal? Aquela melação toda, o que significava???


Eu não duvido do amor, pelo contrário, tenho uma alta esperança e fé irrestrita nos bons sentimentos humanos. Mas, que fim levou o amor? “Plantei um pé de flor, deu capim”, responde Djavan.

Se olharmos para outro momento, aquele que vem antes do relacionamento, podemos ter uma pista do que acontece. Como as pessoas estão quando olham pra alguém, querendo namorar? Não raro, carentes. Com saudade de uma boa transa – não dessas que se acha em qualquer lugar. Querendo companhia pra sair, apoio emocional, cumplicidade.


Estão dispostas a fazer dar certo. Sem conhecer bem o terreno novo, vão pisando e aceitando condições, pisando e acreditando, pisando e tentando semear impressões positivas.


Na bobeira de querer estar com alguém, é fácil se confundir e achar que o interessado está seguindo o coração, até porque formatos de coração chegam em postagens e junto com presentes. Só que nada disso é necessariamente sentimento. É busca de preencher um vazio.


O sentimento pode até surgir depois, se o interesse virar uma conversa, se a conversa trouxer satisfação, se houver química e vontade de investir. Mas se não surgir, assim que se cansarem, o ser real dos dois irá se mostrando: o egoísmo, a falta de caráter e o nível de agressividade. (E é onde você descobre quem é possível de se relacionar e quem não é – ironicamente, quando a coisa já está degringolando.)

De qualquer maneira, não sofra por rejeição. Não é você. É só uma ideia de relacionamento que já deu o que tinha que dar. Ninguém é obrigado a comer o capim que plantou por engano. Mas precisa, sim, manter o mínimo de respeito.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

NÃO SE DEIXE PRA DEPOIS

Como a pessoa ao seu lado encara a sua vida pessoal, profissional, familiar?

Por Maya Wolf




Às vezes, você imita o estilo de alguém. Às vezes, uma cultura ou tendência que admira. “Hippie chic”, “afro”, “motoclube”. Ou embarca num modismo.

Mas tem sempre algo mais que você representa no mundo. A sua alegria, o seu trabalho, o seu respeito por si e pelos outros. Sem alarde, sem atitudes panfletárias, somente a marca que você deixa em tudo o que faz e nos locais por onde passa.

Tem um ser aí, com uma função perante si mesma, perante família, sociedade. Viver e aprender com a vida, pra sofrer menos e ter mais paz, faz parte dessa função. Cuidar de pessoas queridas. Tornar melhor um pouco, o seu lugar. Atingir um grau satisfatório de felicidade.

Às vezes, porém, você se desvia disso. Se concentra num só aspecto de sua ampla possibilidade de pensar e de fazer. Foca no trabalho, na carreira. E assim perde a mulher, a filha e a mãe dentro de você. Deixa o resto para um futuro distante ou, talvez, inexistente.

Ou então, tudo gira em torno de buscar alguém. Quando finalmente acha, tudo passa a girar em torno de estar com esse alguém. Você para de se ver e começa a se projetar no parceiro.

Não que o relacionamento não possa ser nutritivo e satisfatório. Mas vai fazer o quê, enquanto estão juntos? Crescer profissionalmente? Apoiar o crescimento do outro? Dedicar-se a filhos? Mudar de casa? Mudar de país?

Às vezes, você estaciona numa situação. Acha que algo está ótimo enquanto está rolando e deixa rolar. Mas acaba pagando um preço – descobre que sua vida parou ali ou que foi pra uma direção que não queria. Experiências diversas são assim, desde o porre e a ressaca, até o tempo que você demora (devora) na rede social sem perceber e, mais tarde, quase se mata pra cumprir a agenda.


Não empurre essas questões com a barriga, porque o futuro não é feito amanhã, ele é plantado hoje. Faça escolhas conscientes.

Boas perguntas, pra fazer a si mesma, são: Como a pessoa ao seu lado encara a sua vida pessoal, profissional, familiar? Como ela trata seus amigos e amigas? Ela se interessa em ajudar você ou só pensa em si própria?

No começo de um namoro, o carinho e o afeto nascem na descoberta das afinidades. Mas o relacionamento só se fortalece quando as diferenças, sonhos e pensamentos do parceiro são importantes e respeitados.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

DAR OU NÃO DAR NO PRIMEIRO ENCONTRO?

Essa pergunta não tem a ver só com parecer “facinha”

Por Maya Wolf





As pessoas tendem a se viciar nas situações que trazem sensação de segurança. Usam palavras a que se acostumaram e que, segundo creem, não serão mal interpretadas. Passam pelas mesmas ruas pra chegar ao trabalho ou ao mercado. E se casam para garantir um futuro.

Casar dá sensação de segurança, igual a emprego. Cria-se um hábito de ficar junto, de trabalhar num lugar – tanto no emprego, quanto no casamento. Ambos um dia podem dançar.

Casamento geralmente parece melhor visto de fora do que vivido por dentro. Você vê duas pessoas numa longa convivência e acha que aquilo é felicidade. Contudo, algumas vezes, se olhar de mais perto, vê apenas dois neuróticos cujas neuroses se completam.

Compartilham uma relação que vem sendo segura para suas necessidades emocionais. Cômoda, talvez confortável. Mas, feliz? Intensa? Carinhosa?... Não.

Então, os casais se separam quando se dão conta de que o doce amargou. Ou ficam ali e fazem cena pros outros (não subestime jamais a fragilidade dos egos envolvidos!).

Apesar disso, a idealização do casamento ainda coloca na cabeça de muitas mulheres a mesma pergunta: “dar ou não dar, no primeiro encontro”?


Essa pergunta não tem a ver só com parecer “facinha”, o que já vem de uma mentalidade machista, mas com querer fisgar um homem. É estratégica. Ela é fruto de uma cultura em que o macho “alfa” pegador é valorizado, enquanto que a mulher que ele pega ganha o desvalor e a pecha de “piranha”. Fica desvalorizada para casar, que fique claro.

As mulheres deviam desenvolver um olhar próprio, para si mesmas, em vez de se olhar como os homens as olham.

Primeiro, que a gente não dá. No máximo, empresta.

Segundo que, se é minha, empresto quando e pra quem quiser. Não estou fazendo tipo, estou apenas no meu direito.

Falo com a minha boca aquilo que quero, caminho com meus pés para onde decido ir. Então, por que alguém, que não eu, deveria gerenciar a minha vida sexual?

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

SEX TOYS

Brincar é saudável e humano, mas só quando ambos sabem que é brincadeira

Por Maya Wolf



Os homens em geral são crianças que gostam de ter seus brinquedos ao alcance das mãos. Gostam da ideia de que podem esticar o braço e pegar o que querem. E gostam de colecionar.

É bom saber que alguns deles amadureceram o suficiente pra controlar esse impulso ou pra não ter que provar que são homens, colecionando transas e conquistas.

Porque brincar é saudável e humano, mas só quando ambos sabem que é brincadeira.

Você devia ter parado de buscar fantasias adolescentes por aí, se quisesse ficar comigo. Porque eu não devo (perante mim mesma!) alimentar esse seu lado inseguro, fazendo concessões e esperando que você me dê uma qualidade melhor de atenção e carinho. Não vou mendigar afeto.

EU não estava brincando. Tive o capricho de desejar um futuro e planejar como seria. Abrir mão desse desejo e plano demorou um pouco. Por um tempo, achei que tinha perdido, mas agora penso que ganhei algo, nisso tudo. Você deixou uma bagunça aqui, mas essa bagunça não sou eu. Você saiu como um moleque irresponsável e isso criou uma crise que, como dizem na China, é também uma oportunidade. E eu estou inteira.

Não vou me sentir “menos”, nem insegura, nem inferior, nem desamada. Você é que não sabia o que era amor.

Eu comecei chorando e sentindo muita raiva, mas tudo isso me mostrou a força que tinha e não estava usando, por ter me acomodado na sua companhia. Era agradável ter você ao lado.

Você, contudo, não entendeu os termos e abusou de sua posição. Então, chega uma hora que chega! E pra mim chegou o tempo de achar outro rumo, conhecer outro lugar, encontrar um homem-homem.

Quanto a você, bobão, desejo que se divirta na sua eterna sex shop, até cansar de se masturbar no banheiro da puberdade emocional e saber querer uma mulher por inteiro. Uma que não vai ser só seu fetiche e nem a sua distração!

Não tenho medo de estar só. Eu até ando sentindo falta de estar com alguém, mas não dá pra ser qualquer pessoa. Sobretudo, se for outro você. Então, estou num exercício de paciência e, segundo Benjamin Franklin no Poor Richard's almanack de junho de 1736, quem pode ter paciência pode ter o que quiser.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MAIS BRECHÓS E MENOS SHOPPINGS

Não sou massa, nem ovelha de rebanho

Por Maya Wolf



Para mim, shoppings são lugares entediantes. Brechós são lugares de diversão e descobertas, de experimentos instigantes. Lá encontro peças surpreendentes, enfeites de outras décadas, coisas geniais.

Vitrines de shoppings são geralmente várias da mesma tendência de moda. Não quero moda. Eu quero passar numa loja de DVD’s, por exemplo, e, se possível, ver e ouvir ThePianoGuys. Pode ser?...

Eu quero conceitos alternativos pra vestir.

Muitas mulheres de hoje parecem xerox umas das outras. Cabelos alisados, peitos arrebitados, estampas semelhantes. E o interessante é que elas se parecem mais com cópias do gosto masculino que com elas mesmas. Isso é muito chato! Perderam a clara expressão de si para se tornarem iscas de olhares que, delas, pouco veem. Anyway...

Não adoto este padrão. Isso não quer dizer que eu tenha que (ou que vá me) embarangar toda, só pra ser do contra. Não vamos radicalizar, que a proposta não é esta! Nos brechós, viajo para diversos passados e para alguns futuros looks meus. Imagino, componho, crio.

Quero me vestir como me gosto, de um jeito que o espelho me sorria. Pra mim mesma, não pros outros. Quero mudar conforme meu estado emocional, minha inspiração, minhas combinações de cores.

Não sou massa, nem ovelha de rebanho.

Gosto da diversidade humana, ela me amplia e enriquece. Gosto da semelhança essencial que nos une espiritualmente, mas gosto demais da liberdade de escolher como pensar e como ser.

Não creio que vá mudar o capitalismo e a globalização, com essa minha pequena postagem. Mas se você pensar a respeito, já me dou por muito contente!