segunda-feira, 27 de outubro de 2014

DIZER NÃO

Tem coisas de que podemos gostar e que nos fazem mal, como os cigarros e certos relacionamentos

Por Maya Wolf

Esperando o sono chegar, passando pelo Facebook, li a frase atribuída a Osho: “Se não tiver a capacidade de dizer não, seu sim não significa nada.”

Tem gente que encontra muita dificuldade em dizer não. Acaba sendo alvo de pessoas abusadas, fica chateada e se sente mal, mas dizer aquela palavrinha de três letras permanece uma impossibilidade.

Claro que isso tende a criar situações ruins. Veja só, algumas mulheres. Por que elas fazem isso? Porque acham que se derem tudo, fizerem tudo e aceitarem tudo, irão tê-los por perto pra sempre.

As muito dedicadas tendem a ficar com homens que se encostam, dizia uma amiga, semana passada. Olhando de fora, não parece óbvio?...

Mas se considerassem tudo o que deixam de fazer e de viver, as coisas com que acabam concordando, as situações a que se submetem, veriam que foi uma troca bem ruim. Veriam que, se se dedicassem menos ao encosto e mais a si mesmas, sua vida caminharia muito melhor.

Por isso, eu parto do princípio de que “dizer não” é uma atitude que não tem nada a ver com o outro. Tem a ver com a gente mesma, porque quando digo sim querendo dizer não pro outro, ao mesmo tempo nego algo a mim mesma. Nego meu direito e minha dignidade de pessoa. Nego a minha voz.

(Às vezes, vamos dizer não para nós mesmas, só que por boas razões. Tem coisas de que podemos gostar e que, não obstante, nos fazem mal, como os cigarros e certos relacionamentos...)

“Dizer não” tem a ver com o que eu admito e não admito, com o que valorizo e tenho como ideais de vida, tem a ver com a pessoa que sou ou quero ser.

Se eu pensar bem, pra mim o que importa é integridade. Palavra. Respeito às pessoas, ao Planeta. Pra mim, importante são essas coisas, sabe? Quando a gente define isso, começa a entender emprego que serve e não serve, relação que funciona e não funciona, namoro que tem futuro ou não...

E pode também começar a treinar umas frases. “Não gostei do que você fez.” “Não vai dar pra te ajudar nisso.

Seja mais você e menos boba. E que a falta de sono em nossas madrugadas seja sempre diversão, poesia e devaneio, jamais insônia ou arrependimento...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

MINHAS LIBERDADES E MINHAS GRADES

Apenas percebo que minhas mãos se movem na sua direção

Por Maya Wolf




Aquilo em que eu acredito, é minha liberdade ou as minhas grades.

Um exemplo: Estive muitos anos trancada num casamento difícil. Eu vivia um monte de coisas dentro da minha cabeça, porque era extremamente controlada pelos ciúmes de um ex-marido e achava que estava fazendo algo bom, mantendo a minha família unida. Eu acreditava na importância de aguentar firme no meu papel e vivia tudo (minha liberdade, meus devaneios, meus pensamentos mais pessoais e criativos) dentro da minha mente.

No fundo, estava presa era naquela minha crença, de que aquilo pelo que estava me sacrificando tinha algum valor. Não, no meu casamento.

Então, parei de crer naquilo e saí, quando descobri que não funcionava, que nada estava melhor em função do meu “sacrifício”.


Fiquei doente, foi uma “barra”, mas eu saí. E então entendi Bukowski em Ao sul de lugar nenhum: “quanto menos se acreditava na vida, menos se tinha a perder”. Vi o que estava perdendo e que também moram em mim seres que desconheço.

É fato e eu reconheço essas forças desconhecidas ou inconscientes. Instinto. Emoção.

Tem algo que não sei explicar quando estou perto de você e sinto vontade de tocar em você. Se não houver obstáculo, é o que eu faço. Não penso, não discuto. Apenas percebo que minhas mãos se movem na sua direção. Meu corpo vai pro seu. Minha boca vai pra sua...

Não sei se sou totalmente controlada por essas forças. Talvez, sejam mais implacáveis dentro de mim que o antigo ciúme alheio, porque nelas, não preciso crer pra que ajam.

Espero que, se eu sentir que não é o momento ou que não devo, a minha vontade vá funcionar e eu me refreie. Se tiver alguma razão suficientemente forte e importante, eis a minha força pra não agir por impulso.

Quando ficar em dúvida sobre essas forças desconhecidas, darei uma chance ao tempo. Ele tem um jeito maravilhoso de mostrar o que funciona e aprendi isso com um casamento que parou de funcionar.

Pena que a gente, às vezes, também demore demais pra (ou não queira) acreditar no que ele diz, o que costuma revelar-se uma enorme burrice.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

BLINDADOS SÃO LUGARES FECHADOS E OPRESSIVOS

Levanto o estandarte da liberdade de ser e de querer 

Por Maya Wolf


Tive uma fase em que sonhava para mim um monte de coisas. Sonhava uma história bonita, como as de casais amigos meus que estão juntos por longo tempo. Não diante dos homens ou da lei, mas primeiramente de si mesmos.

O fato, porém, é que não se sabe ao certo a que custo essas uniões persistem e se eu teria como bancar algo assim. Sempre me pareceu possível. Mas tropecei no caminho e caí das minhas projeções. Então perdi essa visão bonita, de possibilidades, e prefiro ficar com o que está acontecendo a cada momento, mesmo ao me relacionar.

A liberdade de ser quem somos e fazer o que nos faz bem, essa liberdade é algo muito precioso e ninguém devia achar-se no direito de tirá-la. Mas alguns relacionamentos sobrevivem porque alguém abriu mão da sua, submetendo-se aos caprichos, implicâncias e até loucuras de algum outro.

Eis porque levanto o estandarte da liberdade de ser e de querer, na medida em que não coloque o próximo em risco e que se assuma a responsabilidade pelas escolhas.

Por isso, repudio a ideia de “casamentos blindados”. Blindados são tanques, são carros-fortes. São lugares fechados e opressivos. Podem até ser Limusines, mas com terror de assaltos e atentados. Se a manutenção do casamento ficou mais importante que a sobrevivência do amor e da lealdade, enquanto sentimentos naturais e espontâneos, será que vale a pena ser casado?...

Quero encontrar uma pessoa entre tantas, um ser comum. Ele certamente começará me mostrando o seu melhor, mas, se continuarmos juntos, algum dia, estarei também cara a cara com o seu pior. E ele com o meu. Quero então saber como vou reagir, pois não posso garantir. Se não desistirmos de nós, vamos dar um jeito de seguir lado a lado.

Todo o viver sempre envolve certo risco. E lidar bem com isso é um tipo de crescimento emocional. No fundo, penso como Milan Kundera escreveu em A insustentável leveza do ser. “O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de pessoas), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só pessoa). Algumas pessoas com quem dormimos nos permitem viver isso. Dormir com alguém ao lado pode ser uma experiência muito mais profunda do que sexo em si. Mas não é uma experiência que se pode ter com qualquer um...”

Acordar juntos é um exercício diário e, enquanto olhar para o meu parceiro e sorrir, enquanto ele sorrir para mim um “bom-dia” carinhoso, juntos estaremos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

UNS AMAM, OUTROS PASSAM

Vamos ser honestos, pra eu não inventar na minha cabeça coisas que não são

Por Maya Wolf



Sabe, eu realmente ando com pé atrás. Confesso. Não faço coleção de homens, busco outro tipo de coisa na vida. Mas sei que muitos homens gostam de colecionar mulheres que já pegaram e isso me magoa, porque é um desrespeito a mim e às mulheres.

Não estou falando de alguém em particular, que pode estar lendo e achando que é sobre ele.

Às vezes, gostamos de uma pessoa, gostamos mesmo, mas sabemos pouco sobre ela. Se tudo está muito rápido, fica difícil de aprofundar qualquer coisa. Embarcamos antes de saber pra onde o barco vai.

E olha que o amor e o encontro não precisam ser nenhum Oceano Pacífico! Mas só superfície – conversinha e carinha bonita – é muito pouco.

Vamos ser honestos, pra eu não inventar na minha cabeça coisas que não são. Isso é só uma saída? Uns beijos e uma transa? Preciso saber se o que você quer vai ser bom pra mim e se vou segurar a onda, caso não o veja mais.

Gosto da primeira impressão e de sua conversa. Acho que tudo pode, dentro da concordância, do respeito recíproco. E da honestidade recíproca. Porque posso estar olhando para o que eu acho que quero, vendo isso em você. E então, não estou vendo você. E nem eu mesma... o que é trágico!

E sem ver você, você pode roubar meu coração. Isso de roubar coração é perigoso. Quando a gente pega de volta, falta um pedaço e até crescer de novo... vou te falar!


Aprendi isso com uma sábia, a Alice Ruiz: “Era uma vez, uma mulher que via um futuro grandioso para cada homem que a tocava. Um dia ela se tocou.” Acho que sabedoria é aquilo que a vida vai deixando em nós, quando permitimos e damos valor. E essa sabedoria é que me salva de acidentes náuticos e fraturas expostas, quando você me responde se está só de passagem ou se pretende ficar.