terça-feira, 12 de maio de 2015

O LADO CHATO DE FLERTAR

Eles não têm capacidade de ir adiante, quando veem que a chance de comer você não surge

Por Maya Wolf



Estou chateada com os homens. Deve ter notado.

Estou chateada com a sua limitação.

Alguns que adicionam você no Face, um dia, acham que podem começar a chamar você de Anjo ou de Linda. Dizem coisas melosinhas e previsíveis. E então você percebe que a questão, para eles, é transar com alguém.

Alguém, mesmo. Qualquer alguém com uma xoxota. Eles não sabem nada de você. Talvez gostaram do seu perfume ou do seu visual e decidiram investir.

Se você diz que não gosta disso, eles param. Você é só uma coisa, não importa pra eles.

Se você leva o assunto pra outro lado, eles param.

Imediatamente, porque não têm capacidade de ir adiante, quando veem que a chance de comer você não surge desse modo. E pode excluí-los, eles nem deverão notar.

A questão é que não estou atrás de sexo. O sexo pode até entrar nos planos, mais tarde, desde que exista conversa, companhia, diversão, conexão.

Mas isso também é uma armadilha. Porque você começa um assunto bacana com um homem, não rola exatamente uma atração e aquilo vira uma amizade gostosa. Vocês saem, conversam. Até o dia em que eles arranjam alguém e, então, é como se você não existisse mais. Dão desculpas esfarrapadas pra não fazer o que sempre fizeram juntos.

E você se sente enganada, de novo. Desta vez, por si mesma. O ponto comum entre as duas situações? O ponto em que eles sacaram que não iam comer você.

terça-feira, 14 de abril de 2015

CARREGUE A SUA PRÓPRIA MOCHILA

Quando somos metades de um casal, uma certa consciência da nossa força e inteligência se apaga

Por Maya Wolf






Quando se está com um homem, é fácil se encostar nele. Esquecer a nossa força e capacidade. Virar umas “tontas”.

É comum perder a consciência de quem somos, do significado de sermos mulheres, parceiras. Não é raro virarmos meio empregadas, submissas, prostitutas ou dependentes.

Primeiro, pensamos que ele era o herói, príncipe ou salvador. Depois, nós o colocamos nesse papel. Na maioria das vezes, contudo, ele é também um imaturo, com suas fragilidades, com seus detalhes, com suas contradições e desafios. Ele mente e engana. Ele é um “braço-curto”. Ele é um promíscuo. E não é muito fácil se dar conta disso.

Interessante é que, quando somos metades de um casal, uma certa consciência da nossa força e inteligência se apaga. “Ele devia” cuidar das coisas. “Ele devia” carregar nossa bagagem e compras. Com sorte, “ele” traz dinheiro e sustenta a casa. E nós nos encaixamos numa vida de deveres, ocupações e concessões sexuais. Fazemos vista grossa para o que não queremos ver e que destruiria a estrutura da relação em que nos moldamos.

Mas somos fortes. Somos sábias. Podemos cuidar de nós e viver sentimentos e emoções satisfatoriamente. Ironicamente, esse tipo de consciência, muitas vezes, nasce da gente ter sido machucada (ou desprezada, ou enganada) e, então, acaba sendo conduzida a encontrar sua própria força interna pra assumir a sua vida e as suas escolhas.

Creia que esse momento de se sentir “dona de si” vai chegar, se é que ainda não chegou. Antes disso acontecer, no entanto, pode haver muito que chorar, muita coisa pra sarar. Pois você ainda se sente despedaçada, contraditória, maluca.

A dor é intensa, porque você abriu mão de quem você era, já para entrar na relação. E agora, precisa se resgatar. Mas agora que dói, você transformou o cara no bandido e você, na vítima. Sente como se ele tivesse lhe roubado algo.

Suas amigas talvez ajudaram nisso, porque elas têm raiva do que ele fez e não querem que você sofra. Então elas tentam fazer brincadeiras e dizem coisas terríveis sobre ele (e sobre os homens em geral), porque elas querem que você se sinta melhor. O que ajuda momentaneamente, mas não quando você vai pra casa e as recordações te aprisionam.

Afinal, ele também era um garoto. Ele era fraco. Mimado. Talvez até, sem caráter. Ele não podia dar o que não tinha nem pra si...

Tudo o que você tem, então, é você. Mas não duvide de que isto é muito, muito mais que suficiente. Suficiente pra você não se deixar levar pelo primeiro K.O. sentimental. Para ser uma parceira, lado a lado, de verdade, no futuro. Não mais empregada, não mais troféu. Jamais se esquecendo de que isso também está subentendido na palavra 'parceria' e em encontrar um parceiro de verdade.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AMIZADE DE EX

Nossa história acabou, mas a minha vida não

Por Maya Wolf




Eu já decidi que não quero ser uma dessas, felizes por fora, rancorosas e machucadas por dentro. Não quero agir desmesuradamente, nem por vingança, nem por conformismo. Estou tentando ponderar, apesar da turbulência que as suas ações criaram pra mim.

Em nome disso, tinha decidido continuar amiga. Mas eu não sei o que você quer de mim. Acho que não entendeu os termos dessa amizade. Você insiste em me seguir no Face, em comentar minhas postagens, em referir-se a mim como se tudo estivesse bem.

Não está. Você me diz “bom-dia” e me pergunta como vou. Quer saber? Não sei como vou. Vou indo.

Nossa história acabou, mas a minha vida, não. Por isso, não estou recomeçando. Estou seguindo.

Talvez você espere que eu o absolva, por isso fica me cercando. Que quer ouvir de mim? “Ainda bem que você dormiu com aquelas duas biscates e me colocou pra escanteio, assim tive a chance de recomeçar”? Sorry, não tenho essa grandeza. Não tenho essa vontade.

Alguns de nós, gostam de ser apreciados. Gostam de lealdade. Sei lá por quê! Por ter ficado perto? Por ter aberto o coração e a alma, talvez...


Não sofro pela ingratidão, porque tudo que fiz foi fruto de livre-arbítrio. Só acho que agir como “amiguinhos” não tem nada a ver. Sua conduta foi uma traição não apenas ao amor, mas principalmente à amizade.

Quer mesmo ser meu amigo? Tudo bem. De longe.


Mas penso que você nem sabe mais quem sou. Já soube, algum dia?

Enfim, você se surpreenderia, porque vou mudando. Ser como sempre fui, manter-me numa forma, seria um tipo de prisão. Segurar o que muda pela própria força da Natureza é um esforço bobinho. O bom é perceber o que temos pra viver e viver positivamente.

É desse jeito que procuro seguir. Continuar vivendo, dar qualidade aos dias vividos.

Sei que você confunde a sua incapacidade de começar e manter um relacionamento prolongado e prazeroso, com senso de liberdade. Não é por que você não consegue ficar com o amor, que o amor é algo ruim e escravizante. Isso é só mais uma desculpa que você dá pra si. Mas eu, não...

segunda-feira, 23 de março de 2015

O ROCK NÃO FICA DE SACO CHEIO

Talvez o excesso de seriedade é que esteja minando as minhas chances

Por Maya Wolf





Gosto de Caetano e de Zé Ramalho, mas o que eu posso fazer se, 80% do tempo, o que tenho vontade de ouvir é rock’n roll?

Tenho um relacionamento muito sério com o rock. De se encontrar todo santo dia, há anos. De ouvir segredos e desabafos. Meus vizinhos sabem. Nem reclamam do barulho que fazemos.

E tenho minhas razões pra isso. O rock está ali, quando procuro, e me diz o que quero ouvir. Ele me entende. Se eu fui generosa e carinhosa, se passei por cima de tanta coisa em nome de um sentimento, pelo menos ele não me colocou em segundo plano, não me largou sozinha num feriado, não deu uma desculpa idiota pra não vir ficar comigo.

O rock sempre foi verdadeiro, não me deixou sem saber se aquilo que me dá saudade foi real ou foi uma fraude. E ele me traz aqueles momentos bons de volta, sempre que toca. Os tristes, também, porque ser fiel é uma das suas marcas, caso eu precise chorar essas dores que, pelo fato de entender racionalmente, não se tornam menos doloridas. Rock não fica de saco cheio.

Ele me faz companhia. Em vez de querer encontrar um homem que valha a pena. Ou enquanto não encontro. Um cara que entenda um sentimento profundo e que leve a sério uma ideia de namoro, amor ou casamento. O rock entende. \m/

Mas, às vezes, balanço. Confesso. Queria ser mais cruel, mais debochada, mais desencanada, como certas letras. Penso que precisava não ligar, mandar tudo se ferrar. Devolver na mesma moeda o que recebi de melhor – e, especialmente, de pior. Aceitar uma bebida de quem não me interessa, de quem não acho que tem a mínima chance, só pra ver onde vai dar. "Ao som de um bolero, românticos de cuba libre"...
:O

Às vezes, queria ser menos séria, talvez o excesso de seriedade é que esteja minando as minhas chances. Tanta gente perto de mim encontrando alguém, começando uma história... comemorando um mês... Mas como a Janis, insisti em que o amor devia ser um tipo de coisa especial... E como a Joan Jett, "I love rock'n roll!"

segunda-feira, 16 de março de 2015

USE A CABEÇA, CUIDE DO CORAÇÃO!

Quando homens reduzem uma mulher a um corpo, é um jeito de se sentirem com poder

Por Maya Wolf





Estou tentando ser o que sou. Manter-me fiel a isto. Vejo muitas mulheres tentando ser o que não são e isso me deixa entediada.

A vida é um processo inteligente, com uma meta principal: se conhecer. É algo que se pode escolher e buscar. Mesmo sem querer, porém, todo mundo é empurrado para um aumento da consciência. Isso é mais importante que ser uma escultura de silicone e botox.

Quando homens reduzem uma mulher a um corpo, é um jeito de se sentirem com poder. É também um jeito de não se conectarem emocionalmente. Mas, embora goste de investir um pouco no visual, não quero ser avaliada só por isso. Quando mulheres se reduzem a um corpo, é um jeito de perderem o poder.

Escrever me faz bem e me dá um prazer imenso. Sinto que é isso que quero representar no mundo: algumas boas ideias, algumas opiniões.

Não preciso de alguém que chegue perto só porque minha bunda é convidativa. Não preciso de cantadas e falsidades. Falsos afetos me dão nojo. Falsas palavras me fazem querer me fechar como aquela flor, a sensitiva.

Minha pele é lisa e macia para seu toque, sim, o que não significa que eu não tenha vontades e pensamentos pra compartilhar. Entre um homem que me coma e um outro, que queira estar comigo e goste de me impressionar, fico com este último.


Esse cara não precisa me tomar pra si. Nem jurar amor eterno. Mas somente não se esqueça, ao tocar meu corpo, que não é um corpo vazio, uma pele oca, um traje sem vida. É que dentro de meu corpo mora um coração, num peito que arfa, e sei disso porque já senti de tudo, nele.

Aqui, também moram pensamentos de viver e viajar; aqui moram lágrimas e sorrisos passados, presentes e futuros. Meu corpo é um lote que recebi sem muros. E resido nele com toda a extensão e todos os problemas que essa propriedade significa.

Nessa vida você vai encontrar quem te queira de qualquer jeito e fique com você até o fim do mundo. E quem nem sairia do bar com você. Nem sempre você vai diferenciar, logo de cara, um do outro, então não se apresse pra ficar com alguém, como se estivesse desesperada ou carente, mesmo que esteja. Você, mais que ninguém, sabe que tem um coração e que ele pode doer muito.

domingo, 8 de março de 2015

VOCÊ É UMA DESSAS DESCONTROLADAS?

Especial DIA DA MULHER
Por Maya Wolf




Justa ou injustamente, as mulheres ficaram com fama de serem emotivas e descontroladas.

E nem preciso argumentar sobre o fato de que elas expressam muito mais suas emoções que os homens. Sobretudo hoje, quando ser comedida parece ter deixado de ser uma virtude, como era nos anos 50. Entra no Face e confere. Ou experimenta assistir um pouco do Navegador da GloboNews, passando imediatamente para o Saia Justa ou o Além da Conta, do GNT. Está lá.

A atriz Renata Sorrah disse à ISTOÉ Gente, #266, que sempre fez papéis de mulheres surtadas, “esses tipos que têm picos de adrenalina”. Personagens memoráveis.

Mulheres e homens costumam culpar a TPM por essas desmedidas emocionais. Realmente, as emoções são físicas. Elas têm a ver com hormônios e enzimas.


Mulheres são, fisicamente, seres muito peculiares. Preparar o corpo para gerar vida, engravidar, sangrar se a gravidez não acontece... os homens nunca sentiram isso. E além das emoções em si, existe o fato de que muitas delas têm um jeito mais exagerado de expressá-las, que outras. Fazem de tudo um DRAMA!!! Uma TRAGÉDIA!!! Ou MARAVILHA!!!

Mas não é raro tentarem usar essas particularidades femininas para nos diminuir. Ou para diminuir a importância do que experimentamos, classificando como meros “chiliques”.

Observe, contudo: há mulheres mais tranquilas e mais intensas. Umas não são, nem melhores, nem piores que as outras. Se existem mulheres descontroladas, elas não constituem a totalidade do gênero. E existem homens descontrolados também, que até fazem barbaridades com mulheres incríveis.

Os homens que olham pra gente só na superfície, podem até generalizar. Os homens que nunca entram em contato com as suas próprias emoções, não têm referência para entender as nossas. O fato é que alguns usam o preconceito pra não nos enxergar direito. Mas sempre têm aqueles lindos que destemidamente resolvem encarar o desafio...

segunda-feira, 2 de março de 2015

AMOR E CASAMENTO

“Mas... como se pode casar sem amooooor!?...”

Por Maya Wolf




As mulheres ocidentais têm um jeito de pensar casamento, como se fosse o único jeito possível de unir um casal ou, ao menos, o mais desejável. Histórias e documentários, que mostram tradições de outros países, como a Índia, costumam chocar nosso senso de perspectiva afetiva. Lá, os casamentos podem ser combinados, enquanto os noivos ainda são crianças. E é um assunto de família, que não tem o viés romântico que lhe atribuímos.

“Mas... como se pode casar sem amooooor!?...” Bem, creio que precisamos dizer, em favor de todas as pesquisas sociológicas (e das sociedades que sequer conhecemos, mas que também funcionam), que o nosso idolatrado modelo de casamento é somente UM modelo. A
quele que faz parte da nossa cultura. 

E como crescemos dentro dessa cultura, ouvindo sobre e também vivendo esse modelo, podemos não nos lembrar de que ele é apenas uma possibilidade de coexistência bem sucedida entre um casal. Há muitos casamentos, na Índia, que também dão certo.

De fato, se pensarmos bem, defendermos o “casamento por amor”, acharmos que encontraremos a pessoa especial “que Deus preparou” para nossas vidas, nada disso tem sido garantia de longevidade dos relacionamentos e nem impede a ruptura e a bancarrota emocional, em algum ponto da jornada. É só dar uma olhada ao redor...

Agora, responda rápido: o casamento, como o concebemos, é a única forma possível de viver o amor?

Note que estou falando de forma. E que o conteúdo sempre foi e sempre será mais importante que a forma. Um blog pode ser visualmente atrativo na forma, mas se não tiver nada a dizer, ou se passar informações falsas, a beleza não o salva de fracassar perante o público... Pense num bolinho lindo, com gosto de vômito ou cera de ouvido, como as jujubas de Harry Potter!

Já o conteúdo das relações, seu sabor, sua essência, isto é feito de sentimentos e intenções. E alguns sentimentos ajudam uma relação a ser mais duradoura.


Desejar a felicidade do outro é um deles. Prazer de estar juntos, também. O comprometimento – o sentimento de fazer parte de um casal, além de ser um indivíduo – é fundamental.Tem quem fale muito de amar, até em versos e músicas, mas nem pensa em se comprometer.

Assumir responsabilidades juntos, pela vida que escolheram ,é uma atitude promissora. E quando existe isso, você vive da forma que você quiser, sem gosto de vômito e cera de ouvido.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

GENTE QUE SOMA, GENTE QUE TIRA

Um cara manipulador não vê o que você sente ou o dano que pode causar à sua vida. Então, é você que precisa ver isso

Por Maya Wolf




A esperança de encontrar amor, a sensação de uma longa procura desse amor, sem a lucidez necessária, pode atirar você num jogo de manipulação e perdas de diversos tipos, materiais e emocionais.

As pessoas aprendem a ser manipuladoras, às vezes, sem querer. No lugar onde cresceram, no ambiente onde têm de sobreviver. Um cara manipulador não vê o que você sente ou o dano que pode causar à sua vida. Então, é você que precisa ver isso.

Pra começar, manipulação acontece quando uma pessoa consegue influenciar você, fazendo você pensar e agir em função dos desejos e conveniências dela. E você percebe porque, em lugar de fazer suas coisas pelas suas próprias razões, você passa a monitorar a vida do outro e tentar se adaptar às necessidades dele.

No fundo, não há nada de errado na adaptação em si. A gente sempre se adapta a um relacionamento. Mas quando um só tira e o outro é o que sempre soma, quando um só passeia pela vida e o outro é que se vira pras coisas acontecerem, isso não é relacionamento. É patologia.

Relações saudáveis se baseiam em prazer de estar junto, prazer para os dois. São relações de troca. E nessa troca existe equilíbrio. Mas o manipulador conhece seus pontos fracos, ele sabe que você criou uma dependência emocional e que vai passar a agir como se ele fosse especial, fazer coisas pra ele ficar por perto, dando muito pouco retorno a você.

Por qualquer migalha que ele lhe dê, você vai até se sentir especial, numa história especial. Vai querer fazer coisas especiais, comidas diferentes, preparar surpresas, porque quer que seja tudo especial. Mas pra ele, o que funciona mais é o egoísmo, mesmo...

E então, você vai entrar na fantasia de se achar especial o suficiente para fazer com que ele mude. Aí, minha linda, esse é o seu fundo do poço! Sai daí, enquanto tem força e dignidade! Só você pode dar um basta numa situação desta, pois ele nem tem por que desejar que acabe.

Comece a praticar o “não” e não se deixe pressionar. Verifique as consequências do que tem acontecido, as perdas e danos. E converse sobre elas com alguém em quem confie.


Deixe ficar em sua vida apenas quem tem pra somar e efetivamente soma. Gente que rouba alegria, que tira a paz, que faz você de empregada, não devia estar na sua vida, não... Ser a coitada boazinha, ninguém merece.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

QUERO MAIS QUE SOBREVIVER

Tem fases que você simplesmente vive e tem fases em que se pergunta por quê...

Por Maya Wolf



Quem me vê entre amigos, sorrindo no Face e no Instagram, pode achar que estou ótima e feliz.

Estou com muito boa saúde, bom trabalho. Impulsos criativos em dia. O prazer de escrever me acompanha, fiel como sempre.

E não estou infeliz, porque não tenho nenhuma razão pra isso. Mas minhas fotos são apenas registros de tentativas bem sucedidas de vencer certo desânimo, sair e ver gente. Porque tem fases que você simplesmente “vive tudo o que há pra viver e se permite”, como dizia a letra do Lulu Santos. E tem fases em que você se pergunta por quê...

Por que demora tanto pra arranjar um parceiro fixo, uma companhia realmente gostosa (que é mais que um gostoso que se encontra em toda parte)? Há algo errado comigo? Cheiro mal? Estou muito velha? Onde há mais chance de encontrar essa pessoa?

Dizer que os caras estão buscando somente relações superficiais é uma verdade, em parte. Tem todo tipo de busca, de uma curtição a um cônjuge. Mas muitos estão na superfície, sim, e por isso é preciso controlar as expectativas. Você dança e conversa a noite toda com um cara de lindos dentes sorrindo pra você. Ele diz que quer marcar para saírem de novo e, depois, ele some. Você o procura e não acha e, se acha, ele lhe dá desculpas indecentemente horrorosas, ou porque ele subestima sua inteligência, ou porque é desprovido dela, ou porque não está nem aí com você e só quer se livrar.

Não vou forçar pra entrar numa relação estranha complicada, só pra não encarar minhas carências. Preciso ao menos de uma leve intuição de que o cara é do bem e vai me fazer bem estar com ele. 

Por hora, fico com a opção de fazer o máximo que posso, por mim mesma. Estou tentando ser melhor pra mim. Não cair em ciladas e me divertir mais.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

COMO SOBREVIVER NUM MUNDO COMESTÍVEL

Viramos seres de moda e consumo?

Por Maya Wolf






Gostava daqueles cabelos dos roqueiros dos anos 70, que cresciam à revelia de toda disciplina. Ainda não existia essa espantosa tecnologia cosmética antifrizz. E também não se tratava apenas de ficar bonito – embora alguns fossem lindos, como o Robert Plant do Led Zeppelin.


Mas aquilo era mais sobre passar uma imagem, transmitir uma ideia a respeito da vida. Os soldados tinham corte “escovinha”, então, os hippies (que não queriam fazer guerra, mas amor, e viver com a Natureza) tinham longos cabelos naturalmente crescidos, mais ou menos cuidados, como era possível.

É bacana pensar sobre isso hoje. Os hippies usavam roupas que expressavam o que pensavam, goste ou não goste. Certo ou errado. Passamos quatro décadas e agora usamos roupas que expressam quanto ganhamos, nossa profissão e, em grande parcela, o nosso grau de alienação.

Viramos seres de moda, consumo e ostentação.

A Beyoncé hoje aparece com um cabelão maravilhoso, num clipe. Mas a gente nem sabe se é dela ou se apenas está nela. O importante é que ajuda a criar uma imagem para obter uma reação do público. Ajuda a vender.

Não há, aqui, julgamento da nossa cultura, só observação de como tudo virou objeto de consumo. E não são somente as pessoas e as músicas. Os fatos também. Se acontece algo incrível e você posta na rede social, as pessoas vão curtir hoje. Talvez, amanhã. Depois já surge outra coisa e você não dura nem como novidade.

Os anos passam e o que é fugaz não te deixa nada de concreto, exceto o aprendizado - caso tenha existido algum. Isso: o que você aprendeu e cultivou em você. Conhecimentos, amizades, valores...

Ao aprender a investir no que dura, já não conseguimos mais ser o tipo de mulher puramente comestível e consumível, nem se quisermos.


Imagem: Cena do musical "Hair".

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

3 SINAIS DE QUE NÃO ESTÁ DANDO CERTO

O interesse inicial virou insistência em fazer dar certo. E você parou de prestar atenção aos problemas que foram surgindo...

Por Maya Wolf



No começo, você tinha boa ideia do que esperava encontrar. Alguém que a tratasse bem, cuidasse bem e respeitasse.

Talvez a demora em encontrar essa pessoa, ou mesmo a sua impaciência, tenha feito o nível de exigência baixar. Você foi encontrando homens que eram complicados, que vinham de uma cultura diferente. Sobretudo, homens que tinham atitudes que não combinavam muito com seu jeito de ser e de pensar. Mas eles também tinham um lado interessante, atraente. Selvagem, até.

Quando juntou tudo, achou que valia a pena arriscar.

Pensou que era paixão, mas era só pressa. Deixou-se levar por um impulso juvenil, que fez sentir uma energia diferente, excitante.

Mas depois, o interesse inicial virou insistência em fazer dar certo. E você parou de prestar atenção aos problemas que foram surgindo.

Pra você que se reconheceu nesse perfil, escrevi este texto. Se você se esqueceu do que estava procurando no início, aquele cara bacana que ia ser parceiro, amante e amigo, observe alguns sinais de que ele não é o cara que procurava:

1) Ele priva você de estar com sua família e amigos e só quer fazer as coisas dele. É implicante com as suas espontaneidades e acha bobagem quando você diz que quer fazer uma aula qualquer ou que sonha uma viagem para certo lugar.

2) Você sente alívio quando consegue ficar longe dele, no trabalho ou fazendo suas coisas na rua. Parece que você revive um jeito de ser que não é possível, quando ele está perto.

3) Ele diz e faz coisas que a incomodam ou, mesmo, que a levam a chorar. E isso pode se tornar mais frequente, com o tempo.

Você pode encontrar outros sinais, que têm a ver com a sua vida pessoal ou doméstica. Os mais graves envolvem comportamentos e atitudes dele que são totalmente contrários aos valores em que você acredita e que procura vivenciar.

Viver assim vem drenando sua alegria e a energia que poderia usar pra cuidar das suas coisas e construir uma vida satisfatória. Então, você vive cansada. Um cansaço que parece ser de tudo, mas se verificar bem, vai ver que é de carregar nas costas esse relacionamento que não está dando certo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

NÃO, NÃO ESTAVA NO PAPO

Tratar o outro como se já fosse seu, não investir mais na relação, é um grave erro

Por Maya Wolf



Tem gente que procura parceiros pela noite querendo sonhar por uns minutos e #partiupraoutra. Tem gente que procura parceiros para compartilhar a realidade da convivência diária.

Uns preferem se entregar a um desejo, um corpo, um momento fugidio. Outros gostam de planejar uma jornada mais longa. Uns querem provar o sexo; outros querem adentrar a intimidade, chegar a conhecer a mente e tocar o coração do outro.

Tem gente que quer se envolver pouco. Consegue, sai com facilidade. Tem gente que não consegue.

E tem quem acha que já está com o “seu” garantido em casa e não consegue passar sem um flerte no trabalho, uma eventual puladinha de cerca.

Bom, eu acho que tratar uma partida como ganha é desinteressar-se do resultado. Tratar o outro como se já fosse seu, não investir mais na relação, é um grave erro, como o daquele time que entra em campo achando que a vitória “tá no papo” e acaba sendo vergonhosamente goleado. E não estou falando só de futebol...

Você passa muito tempo com alguém e para de prestar atenção aos detalhes, às mudanças. Não percebe que o outro lado tem novas jogadas, que trocou de técnico. Às vezes, as conversas viram assuntos de rotina, da casa, e os dois deixaram de falar do que sentiam, do que queriam.

Como o seu "querer" e o seu "sentir" não têm lugar com seu parceiro, o que você faz? A melhor solução seria procurar reduzir essa distância. Revisitar o diálogo. Buscar terapia. A solução escolhida, muitas vezes, é preencher o tempo e sua necessidade de emoção em conquistas rápidas e fúteis.

A pergunta a ser respondida, então, é: você ainda quer aquele relacionamento? Porque se quer e fica jogando nos campinhos dos outros, sabendo que esta não é a regra combinada, você está sendo um moleque ou uma louca. Quando cair em si, vai ver que a Copa terminou pra você e te mandaram de volta antes da hora. Sem o título.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

TESTE DE FIDELIDADE

A honestidade é um compromisso, escreveu Clarice Lispector

Por Maya Wolf



Relacionamentos só funcionam com base em confiança e respeito recíproco.


A confiança não é objetiva, não vem exclusivamente de dados externos. Por isso, testes de fidelidade não ajudam nada, se você não sentir que pode confiar.

Houve um tempo em que teste de fidelidade virou uma atração de TV, onde atores são usados para seduzir o cônjuge e o ponto alto são as brigas e palavrões no palco. Claro que isso satisfaz alguma necessidade doentia de confiar definitivamente em alguém, quando no fundo sabemos que nós mesmos podemos mudar de querer, mudar de sentir... mudar! Ou seja, nem mesmo nós próprios somos absolutamente confiáveis quanto à manutenção das intenções, nos compromissos que assumimos.

Mas podemos ser confiáveis quanto à nossa integridade, se houver mudança de intenção no meio do caminho, integridade que está relacionada à honestidade e ao caráter. E este é o ponto de equilíbrio das relações.

Confiança é um sentimento. Ela é interior e encontra ou não condições de existir. Nossa confiança nas pessoas em geral pode ter sido abalada por experiências e/ou pelo modo como nossos pais nos trataram. Embaraçados pelo passado e pela tristeza, sentimos que a dificuldade tem a ver muito mais conosco, que com o outro.

Mas não é só isso. Em algumas pessoas, vamos confiar irrestritamente porque “tapamos com a peneira” todos os indícios que poderiam fazer desconfiar, porque queremos “fazer dar certo”. E às vezes, independente do que o outro faça, jamais conseguiremos sentir confiança.

Já a honestidade é um compromisso, escreveu Clarice Lispector em Água viva. E eu acrescento: um compromisso consigo mesmo(a) que é sentido pelo outro e que carrega, em seu interior, o prêmio da confiança.

Das muitas dificuldades que um casal pode enfrentar, talvez a mais cruel e irreversível seja a falta de honestidade. E a consequente perda da confiança. Porque a perda da confiança invalida tudo o que se viveu de bom, desde que não sabemos mais o que foi ou não verdadeiro...

A quebra da confiança é como uma ponte que ruiu. Você pode até sentir saudades do outro lado, mas não tem mais como voltar, nem se quisesse.

Pode até sonhar com um túnel do tempo equipado com apagador de memória. Mas o fato é que, mesmo que se encontrem, mesmo que ainda se queiram, nada mais pode ser como antes, a não ser que a verdade aflorasse e lavasse tudo com sua transparência.

Mas, que verdade seria essa? A verdade segundo quem?...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

POR QUE AS PESSOAS MENTEM SOBRE SEXO?

Não é raro misturarmos na cabeça o que gostaríamos que fosse com aquilo que é

Por Maya Wolf






Nunca se falou tanto sobre sexo quanto ultimamente. Mas saber se a liberação sexual e a multiplicação dos canais para se tratar do assunto nos tornaram mais bem informados e felizes, é outra questão.

Sexo está na moda. Dá até impressão de que o exagero é uma forma de “saúde”.


O que nem sempre fica claro é o grau de fantasia ou, mesmo, de expectativas que são criadas a respeito, diante da realidade que se vive e da realidade dos fatos.

Algumas músicas lidam diretamente com nossas fantasias. “Whole lotta Rosie” – “nunca tive uma mulher como você, fazendo todas as coisas que você faz”. “You shook me all night long” – “a terra estava tremendo e nós estávamos fazendo amor”. Só pra lembrar duas, do AC DC.

Transar muito, ser insaciável, são ideias que agradam muitas mentes. O foco insistente na realização sexual e no desempenho, contudo, pode ocultar o fato de que a vida e a afetividade têm múltiplos componentes. Algumas vezes, será que essa fixação genital não vira um tipo de “doença”? Compulsão sexual é um fardo, um problema. Como tudo que se transforma em mania.

Mas tem outro aspecto nesse discurso todo, que conta muito: até que ponto se diz a verdade e quanto se mente a respeito?

Não é raro misturarmos na cabeça o que gostaríamos que fosse com aquilo que é. Além do quê, tem quem minta porque quer projetar uma imagem de pessoa resolvida. Porque precisa ter o que contar, perante os amigos ou amigas. Como um teatro. Em tempos de rede social a mil, contar que fez pode ser tão importante quanto fazer.

E fica a pergunta: será que a gente tem mesmo de transar muito? Será que isso realmente torna nossa vida melhor e a gente, mais feliz? Ou está virando um tipo de obrigação?...

Será que essa quantidade de exigências e de conversas ouvidas não vai deixando outras pessoas – aquelas que não fazem tanto sexo assim – frustradas, pensando que têm problemas quando, de fato, não têm?

Afinal, não precisa ser diário. Nem semanal. Não precisa ser acrobático. Não precisa ser contado pros outros (muito menos, com detalhes). Só precisa fazer bem e plantar um sorriso no rosto.


E não precisamos viver no cio.


Imagem: "RosieACDC" por: Weatherman90 - Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:RosieACDC.JPG#mediaviewer/File:RosieACDC.JPG

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

QUE TIPO DE MULHER EU SOU?

Sou do tipo que trata as outras mulheres como irmãs, embora nem todas entendam isso

Por Maya Wolf




Não sei. Pergunta difícil.

Sou do tipo que não é de um tipo.


Nunca sei do que serei capaz, daqui a pouco. Talvez esse seja o meu tipo, o tipo que se apaixona e se joga pro que acontecer. O tipo que não tem paciência pra esperar sinais...

Bom, não sou do tipo que engana, que passa a perna. Também não sou do tipo de mulher pra uma noite. Não ando atrás de transas ocas e sem sentido. Quero algo mais profundo.

E tenho sido do tipo de mulher que não abandona o barco na dificuldade. Sempre fui de gostar e de apoiar, de procurar ser útil. Sempre busquei viver uma história. Superficialidade me dá tédio. Mas também sou do tipo que não aceita mentira. Então, se não for de verdade, não pode ficar!

Sou do tipo que trata as outras mulheres como irmãs e, embora nem todas entendam (porque não sabem o que é isso!), não sei ser diferente. E já tomei na cabeça por ser assim, mas não tem jeito de eu mudar.

Eu sou do tipo que olha pra frente e quer ir além. Do tipo que se desilude e chora até os olhos secarem por si, mas não cai duas vezes na mesma cilada. Queimo algumas pontes, sim, diferente do que pede a canção. “Don't burn down that bridge” é pras bobas que acham que a grama verde ficou sempre lá atrás. Sorry, grande Albert King, mas é fato: segundo Neil Barringham, a grama é verde onde você rega.

Já fui do tipo “boazinha”. Não sou mais, porque quando a gente é boazinha demais os outros abusam.

Hoje em dia, até desconfio dos muito bonzinhos. Acho que tem algo por trás. Um plano, uma expectativa, porque aquilo não é uma bondade verdadeira: é uma estratégia, mesmo que inconsciente.

Que tipo de mulher eu quero ser? Um ser do bem, que joga luz nas situações e não se impressiona com o escuro. Que não faz, nem alimenta drama. Que age no momento certo e com a intensidade necessária.

Quero manter uma relação profunda e honesta comigo, pra sempre ser assim com outro ser. Quero conseguir olhar de novo pra quem me feriu, sem vontade de ferir de volta. Quero reclamar cada vez menos e agradecer cada vez mais.