segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

COMO SOBREVIVER NUM MUNDO COMESTÍVEL

Viramos seres de moda e consumo?

Por Maya Wolf






Gostava daqueles cabelos dos roqueiros dos anos 70, que cresciam à revelia de toda disciplina. Ainda não existia essa espantosa tecnologia cosmética antifrizz. E também não se tratava apenas de ficar bonito – embora alguns fossem lindos, como o Robert Plant do Led Zeppelin.


Mas aquilo era mais sobre passar uma imagem, transmitir uma ideia a respeito da vida. Os soldados tinham corte “escovinha”, então, os hippies (que não queriam fazer guerra, mas amor, e viver com a Natureza) tinham longos cabelos naturalmente crescidos, mais ou menos cuidados, como era possível.

É bacana pensar sobre isso hoje. Os hippies usavam roupas que expressavam o que pensavam, goste ou não goste. Certo ou errado. Passamos quatro décadas e agora usamos roupas que expressam quanto ganhamos, nossa profissão e, em grande parcela, o nosso grau de alienação.

Viramos seres de moda, consumo e ostentação.

A Beyoncé hoje aparece com um cabelão maravilhoso, num clipe. Mas a gente nem sabe se é dela ou se apenas está nela. O importante é que ajuda a criar uma imagem para obter uma reação do público. Ajuda a vender.

Não há, aqui, julgamento da nossa cultura, só observação de como tudo virou objeto de consumo. E não são somente as pessoas e as músicas. Os fatos também. Se acontece algo incrível e você posta na rede social, as pessoas vão curtir hoje. Talvez, amanhã. Depois já surge outra coisa e você não dura nem como novidade.

Os anos passam e o que é fugaz não te deixa nada de concreto, exceto o aprendizado - caso tenha existido algum. Isso: o que você aprendeu e cultivou em você. Conhecimentos, amizades, valores...

Ao aprender a investir no que dura, já não conseguimos mais ser o tipo de mulher puramente comestível e consumível, nem se quisermos.


Imagem: Cena do musical "Hair".

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