segunda-feira, 23 de março de 2015

O ROCK NÃO FICA DE SACO CHEIO

Talvez o excesso de seriedade é que esteja minando as minhas chances

Por Maya Wolf





Gosto de Caetano e de Zé Ramalho, mas o que eu posso fazer se, 80% do tempo, o que tenho vontade de ouvir é rock’n roll?

Tenho um relacionamento muito sério com o rock. De se encontrar todo santo dia, há anos. De ouvir segredos e desabafos. Meus vizinhos sabem. Nem reclamam do barulho que fazemos.

E tenho minhas razões pra isso. O rock está ali, quando procuro, e me diz o que quero ouvir. Ele me entende. Se eu fui generosa e carinhosa, se passei por cima de tanta coisa em nome de um sentimento, pelo menos ele não me colocou em segundo plano, não me largou sozinha num feriado, não deu uma desculpa idiota pra não vir ficar comigo.

O rock sempre foi verdadeiro, não me deixou sem saber se aquilo que me dá saudade foi real ou foi uma fraude. E ele me traz aqueles momentos bons de volta, sempre que toca. Os tristes, também, porque ser fiel é uma das suas marcas, caso eu precise chorar essas dores que, pelo fato de entender racionalmente, não se tornam menos doloridas. Rock não fica de saco cheio.

Ele me faz companhia. Em vez de querer encontrar um homem que valha a pena. Ou enquanto não encontro. Um cara que entenda um sentimento profundo e que leve a sério uma ideia de namoro, amor ou casamento. O rock entende. \m/

Mas, às vezes, balanço. Confesso. Queria ser mais cruel, mais debochada, mais desencanada, como certas letras. Penso que precisava não ligar, mandar tudo se ferrar. Devolver na mesma moeda o que recebi de melhor – e, especialmente, de pior. Aceitar uma bebida de quem não me interessa, de quem não acho que tem a mínima chance, só pra ver onde vai dar. "Ao som de um bolero, românticos de cuba libre"...
:O

Às vezes, queria ser menos séria, talvez o excesso de seriedade é que esteja minando as minhas chances. Tanta gente perto de mim encontrando alguém, começando uma história... comemorando um mês... Mas como a Janis, insisti em que o amor devia ser um tipo de coisa especial... E como a Joan Jett, "I love rock'n roll!"

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