Por Maya Wolf
A vida às vezes tira uma pessoa da sua frente, para que você enfim se veja. Ou para que possa encontrar alguém mais compatível com você. Se você evoluiu e o parceiro não, isso pode acontecer. (E vice-versa.)
O ego é atingido: “Fui trocada?” “Ele se desinteressou de mim? Como?” O ego é o primeiro responsável pela dor que se sente. Ele quer culpar alguém, não quer ver que o fim era previsível, não quer sair das suas ilusões, quer voltar a se sentir “por cima”. Não aceita que a mudança pode ter sido algo bom, afinal.
Mas mesmo quando nosso melhor humor vai ressurgindo, às vezes pode restar algo no fundo do pote que continua lá. Pontiaguda e cortante, impedindo que vejamos o outro do mesmo modo que víamos antes. É a deslealdade. Não é a só infidelidade, mas a deslealdade, a mentira deliberada, persistente e insensível que enfim se descobriu. Traição é um ato concreto, deslealdade é falta de caráter.
A deslealdade enfeia qualquer história bonita. Se conhecer as armadilhas do ego, você até consegue superar o orgulho ferido. Mas sentir que seus laços com o outro eram de verdade só do seu lado, que a outra parte era falsa e que o que dizia era falso, destrói algo mais sério. Destrói sua confiança, faz questionar o seu senso de realidade. Pode torná-la desconfiada ou arredia.
Procure, ainda assim, não perder a parte melhor da realidade junto com a mais cortante, num ceticismo doentio. O matemático e físico Henri Poincaré afirmou que duvidar de tudo ou acreditar em tudo são duas estratégias convenientes, mas que nos dispensam da necessidade de refletir. Nenhum dos extremos previne erros.
A vida quer que você tire de suas experiências um ensinamento, não, um misto de desesperança e secura afetiva. Foi um tombo. Enxugue as lágrimas e limpe a poeira da roupa. Aprenda e siga.

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