terça-feira, 27 de maio de 2014

MULHERES, PODER E MANIPULAÇÃO

Vejo competição. Competição doente

Por Maya Wolf



Fotógrafo italiano que ficou famoso pelas campanhas que desenvolveu para a Benetton até 2000, Oliviero Toscani declara a Roberto D’Ávila em seu programa na GloboNews que não encostaria nenhum dedo nessas meninas “magras, anoréxicas e tristes”, do leste europeu.

Cuidando para que esses termos não pareçam tão excludentes quanto “gordinha” ou “lisa como uma tábua”, não vejo em qualquer dessas classificações que ouço por aí apenas sexismo, machismo ou, até, a ditadura de um padrão.

Vejo competição. Competição doente, quando leva à depressão e à morte.

Vejo uma falsa compreensão do empoderamento feminino.
Mulher tem poder, tem uma força interna que deixa os homens desorientados. Às vezes até, com medo de se aproximarem. Ou então, começam achando-as interessantes e quando entendem que é um ser inteiro, belo, terno e até protetor, realizador e criativo, eles saem correndo para o seu mundo de pedaços – de bundas, peitos, pernas. Muitos só conseguem lidar com mulher em pequenas parcelas, como num carnê.

Quando se submete, quando vira obcecada pela estética, isso significa que a mulher está entendendo isso errado. Perdeu seu poder de humana e fêmea e agora só lhe resta a manipulação. Se pinta. Injeta coisas em si mesma. Tenta parecer melhor, tenta abrir um sorriso e ser atraente, conquistar um espaço balançando quadris, porque já abriu mão de si mesma e do lugar no mundo que sempre foi seu. 

Note que mulheres têm suas preferências. É normal sentir-se atraída por um tipo físico e não por outro, mas isso não está fazendo os homens morrerem de magreza. Já as mulheres morrem porque se deixam cair numa armadilha. Não se conhecem e têm imensa falta de amor por si mesmas.

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