Vejo competição. Competição doente
Por Maya Wolf
Fotógrafo italiano que ficou famoso pelas campanhas que
desenvolveu para a Benetton até 2000, Oliviero Toscani declara a Roberto
D’Ávila em seu programa na GloboNews que não encostaria nenhum dedo nessas
meninas “magras, anoréxicas e tristes”, do leste europeu.
Cuidando para que esses termos não pareçam tão excludentes
quanto “gordinha” ou “lisa como uma tábua”, não vejo em qualquer dessas
classificações que ouço por aí apenas sexismo, machismo ou, até, a ditadura de
um padrão.
Vejo competição. Competição doente, quando leva à depressão
e à morte.
Vejo uma falsa compreensão do empoderamento feminino.
Mulher tem poder, tem uma força interna que deixa os homens desorientados.
Às vezes até, com medo de se aproximarem. Ou então, começam achando-as interessantes
e quando entendem que é um ser inteiro, belo, terno e até protetor, realizador
e criativo, eles saem correndo para o seu mundo de pedaços – de bundas, peitos,
pernas. Muitos só conseguem lidar com mulher em pequenas parcelas, como num
carnê.
Quando se submete, quando vira obcecada pela estética, isso
significa que a mulher está entendendo isso errado. Perdeu seu poder de humana
e fêmea e agora só lhe resta a manipulação. Se pinta. Injeta coisas em si
mesma. Tenta parecer melhor, tenta abrir um sorriso e ser atraente, conquistar
um espaço balançando quadris, porque já abriu mão de si mesma e do lugar no
mundo que sempre foi seu.
Note que mulheres têm suas preferências. É normal sentir-se atraída por um tipo físico e não por outro, mas isso não está fazendo os homens morrerem de magreza. Já as mulheres morrem porque se deixam cair numa armadilha. Não se conhecem e têm imensa falta de amor por si mesmas.
Note que mulheres têm suas preferências. É normal sentir-se atraída por um tipo físico e não por outro, mas isso não está fazendo os homens morrerem de magreza. Já as mulheres morrem porque se deixam cair numa armadilha. Não se conhecem e têm imensa falta de amor por si mesmas.

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