segunda-feira, 22 de setembro de 2014

PERDER PESO

Histórias que não acabam bem deixam seus resíduos

Por Maya Wolf




Ando carregando coisas demais. Acho que é hora de soltar algum peso extra. No mínimo, facilita a caminhada. Sobretudo, porque ainda penso em ir muito longe.

Quero caminhar novamente. Seguir inteira, sem me sabotar. Ser um pedaço significa jamais se entregar, jamais mergulhar. Fica chato. Vou com tudo, mas preciso de mim, na mesma medida em que preciso jogar fora aquilo que me enrosca num passado que entristece. Deixar lá o que é de lá.

As histórias que não acabam bem deixam seus resíduos. O ego pode ser implacável e é a primeira grande tralha a abandonar: deixar de jogar toda a responsabilidade no outro e assumir a minha. Mas assumir o que é meu, e só.

Pra ficar juntos, muitas vezes preferimos abrir mão de quem a gente era, o que sempre será um preço muito, muito alto. Mas quando percebemos que já entregamos demais do que somos, do que desejamos, e que o outro lado não deu o devido valor, parece que terminamos sem nada!!! Então é hora de recuperar nossos pedaços.

Recuperar quem a gente é de um oceano de coisas que ficam amontoadas... Da confusão emocional que se acumula e estoura no fim. Porque mesmo sabendo que não tem jeito de continuar, no fundo, a gente não queria que acabasse... Mas jogar fora, mandar embora tudo que sobrou de triste e negativo, é meu compromisso e declara meu respeito por mim mesma.

Não quero me vingar. Não quero atacar ninguém. Não é digno de meu entendimento da vida. E não preciso disso, que nada me acrescenta.

Quero cuidar de mim, cultivar meu jardim de harmonia e sentimentos bons. Bom humor. Não vou alimentar rancor, nem tristeza. Porque, no final, só temos o amor que sentimos, com seus sintomas e hematomas (como escreveu Leminski), e sem amor tudo pesa.


Ainda temos um caminho inteirinho pela frente.

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