segunda-feira, 18 de agosto de 2014

ISTO NÃO É AMOR II: VOCÊ É UM BOLO DE CAIXINHA?

Quando parar de fingir pra ficar à vontade


Por Maya Wolf



Eu queria entender por que é que tem mulheres que nunca se consideram suficientemente boas, do jeito que são. Suficientemente belas. Suficientemente interessantes. Ficam se comparando e nivelando por baixo e, depois, pra compensar, querem usar um “vestido poderoso”.

Clarice Lispector escreveu em Um sopro de vida: “Eu antes era uma mulher que sabia distinguir as coisas quando as via. Mas agora cometi o erro grave de pensar”.


E parece que o pensamento feminino anda confuso, perdeu aquela clareza de olhar e ver. Se não, pensa: O que afinal você tem de errado? Sério...

Isso é sobre conquistar homens? Então, o que é que esse cara tem de tão maravilhoso, pra você ser tão autocrítica?

Pra se forçar a ser algo que nunca foi?

Você procura dizer coisas apropriadas, que o interessem, mesmo que não seja o que queria dizer. Concorda com ele só pra não discordar. Então você finge.

Homens, no entanto, também fingem. Fingem ser solteiros. Fingem querer um futuro. Fingem ser o que se encaixa na procura feminina. Ou na fantasia das mulheres.

O que eu me pergunto é: até onde isso vai? Quando é que enfim a gente pode se sentir liberada pra aparecer pra ele como realmente é? Pra falar o que realmente pensa e não o que “fica bem”? E andar descalça etc.

E o que é que isso vai representar, a partir de então? Que ele foi laçado e, portanto, passou a ser seguro mostrar o que somos?... Tudo isso me parece insano ou maquiavélico, não tem nada de amor aí...

Veja, eu não sou uma expert da cozinha, mas faço umas coisas gostosas. Agora, vou fazer de conta? Pra enganar quem?

No dia a dia, um bolo de caixinha é uma praticidade. Resolvo um lanche com uma mistura pronta, sem peso na consciência. Eu sou isso, goste ou desgoste.


Tem mulher que gasta fortunas só pra se sentir um pouco melhorzinha. Mas no mundo dos fingimentos, nem sempre ela sabe se está pagando preço de bolo de noiva, enquanto é degustada como se fosse mais um bolo de caixinha. 

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