Existe um prêmio para os corajosos, os que não têm medo de abrir seu coração
Por Maya Wolf
É a cara dos nossos dias. Publicidade cheia de referências sexuais, erotização precoce da infância... E vendo como “todo mundo está fazendo”, parece que as pessoas têm mais necessidade de “fazer” ou de parecer que estão “fazendo”.
Sexo casual, sexo com estranhos são lugares muito solitários. É algo esvaziado que se esgota em si mesmo, como masturbação... Não sobra espaço pra expressão de sentimentos verdadeiros, não há intimidade.
Intimidade é se sentir à vontade pra ser totalmente você, diante do outro. E acolher o ser do outro da mesma forma. É conseguir chegar realmente perto.
Tem muita coisa escrita sobre medo de intimidade. É que se eu mostrar muito do que sou, se o outro tiver um acesso tão pleno e profundo à minha interioridade, vai saber minhas fragilidades e isso me faz frágil diante dele. Dependendo de sua índole, talvez ele até se aproveite desse acesso, para me ferir. Talvez descubra algo que o faça me rejeitar...
No final dos anos 60, as canções do Velvet Underground mostravam como às vezes lidamos com nossas dificuldades com sexo por meio do grotesco, do burlesco e das chamadas "perversões", porque há em nós uma energia que precisa fluir de algum modo. Gostemos ou não. Aprovemos ou não.
Existe, contudo, um prêmio para os corajosos, os que não têm medo de abrir seu coração. Porque nessa aventura cúmplice e parceira, também nos encontramos e nos descobrimos em situações inusitadas, em sentimentos novos. Como Antonin Artaud escreveu a Anais Nïn:
“Eu nunca acreditei encontrar em você a minha loucura. Você tem o mesmo silêncio que eu. E você é a única pessoa diante de quem o meu próprio silêncio não me incomoda. Muitas coisas nos aproximam, mas, sobretudo uma; o nosso silêncio.
Eu quero de você abraços violentos, quero descansar em você e que possamos sentir essa vibração total, eu e você, essa vibração que desperta as coisas do espírito. Somente com você um abraço pode não ser inútil.”
Tem muita coisa envolvida na intimidade que os atletas sexuais ignoram (fazem de conta que não sabem) ou desconhecem (realmente não sabem). Acho que fazer sexo a toda hora é um jeito de mal entendê-lo. De “profaná-lo”. Porque tudo é gostoso em clima de intimidade, quando não é preciso se esconder ou planejar o que dizer/fazer! Assistir TV, cozinhar e comer, lavar louça e deitar... Gostoso como fazer amor na vida, sem nunca parar.

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