Por Maya Wolf
Você traz na sua cabeça a ideia de um casamento, de um relacionamento consistente, duradouro, fortemente baseado em respeito, admiração mútua e atração que se mantém no correr dos anos. Talvez tenha passado boa parte da sua juventude planejando e preparando isso.
Você mergulha de cabeça, sonha, luta, faz concessões. Você é do tipo carinhosa, dedicada, sabe o que fazer numa cama, tem boas conversas. Não é superficial nem aproveitadora, mas está disposta a realmente permanecer ao lado da outra pessoa, cuidar na doença, celebrar na alegria, ajudar nos apertos... Um dia, parece que seus objetivos se distanciam e quem pensou ser uma alma companheira vira um desengano, quando não, um desapontamento.
Nas piores hipóteses, um passado. Na melhor das hipóteses, uma bela lembrança. Mas, onde foi parar você, no meio disso tudo?
Talvez vocês dois tenham se perdido na confusão da vida comum. Talvez, o distanciamento seja simplesmente um sintoma da necessidade de reencontrar o que um dia vocês foram, o que um dia almejavam. Sua espontaneidade mais essencial.
Talvez haja remédio; talvez, não.
Mulheres fazem concessões sobre concessões como se fosse normal. Porque era pra ser bom estar juntos e compartilhar, mas no fundo, às vezes, é você que faz tudo, simplesmente porque ainda enxerga nele algo bacana (nem que seja transar com você e – thanks God! – não te bater...).
Mas compartilhar é mútuo e é preciso estar inteiro para ter o que somar. E há casos em que investimos tanto de nós, que ficamos sem reserva. Não é bom fazer isso, como se o sentimento ou relação fossem eternos, porque nada disso é garantido.
Nem você, com toda a sua autodoação interna, pode garantir que nada vai mudar, porque há mais coisas envolvidas ali que a outra pessoa e essa sua vontade férrea e empenho de Atlas, que é aquele ser mitológico que carrega o mundo inteiro nas costas.

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