Eu me dedico a um único amor de cada vez
Por Maya Wolf
Eu sou um ser monogâmico, quer dizer, eu me dedico a um
único amor de cada vez. Gosto de ser assim e sei que assim sou mais feliz; nem
melhor, nem pior que quem prefere variar ou, até, defende a promiscuidade. Mas nisso,
não vejo a mínima graça.
Não acho que sou careta. E nem tem a ver com religião ou
moral. Apenas não quero me dividir, nem ter de criar situações, mentiras, desculpas
para estar com outra pessoa, porque sou um ser íntegro e desejo estar inteira
no meu amor e no meu prazer.
Quero estar plena com o parceiro e conhecer seus pensamentos,
seus interesses, suas lutas, suas preferências. Estar com ele, além disso, se
precisar de minha presença ou apoio. Conversar, conviver.
Afinal, ele não é meu brinquedo ou meu fetiche. Muito menos,
minha fantasia. Ele não é só um pênis com que brinco de me estimular. Não é um
item colecionável, figurinha fácil ou difícil (embora existam os que são
vulgarmente grudentos).
Ele é um homem, nós nos escolhemos para uma jornada. Não me
sinto, porém, presa a ele, porque estou exatamente onde quero e essa alegria me
preenche os dias.
Quero um homem para aprendê-lo, para degustá-lo, para
segurá-lo com meus braços, bem coladinho em mim, sentir seu coração, seu peito
arfar, enquanto me segura, beija e penetra. Quando estou com ele, assumo minha persona tântrica: ele é meu deus e eu
sou sua deusa. Não somos partes somente, nada mais há lá fora: estamos inteiros
na preparação de um gozo supremo, transcendental.
Se ele souber o que sei, teremos horas de prazer profundo e
intenso.
Mas se ele desconhecer o que sei e apenas entregar-se ao meu
toque, se eu reconhecer em seu coração a beleza e a bondade que dão sentido ao
Universo, ele será Shiva e eu, Shakti, e o cobrirei de oferendas e carinhos por
longos e suados dias de êxtase a dois, passeios, risos, filmes e caminhadas sob
o Sol.

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