quarta-feira, 11 de junho de 2014

É GOSTOSO SE ILUDIR

Não tem ilusão que não despenque de onde está

Por Maya Wolf



É comum as pessoas sentirem saudades do tempo em que eram ingênuas. Falarem do tipo de doce de que gostavam e que não se fabrica mais. Um tempo em que era possível brincar com a realidade, na maioria das vezes, sem ferimentos sérios.

Mas não sei se o que temos são saudades do tempo em que éramos enganados pela aparência das coisas ou se nossos dourados devaneios é que foram sendo abandonados pelo caminho, com sintomas de inanição pela falta de doce quem ninguém mais faz igual.

Sei que o que conservamos, forte e robusta, sempre pronta para agir, é a capacidade de autoilusão. Afinal, é gostoso se iludir, embora possa até dar algum trabalho, como vimos em “Ele não está tão a fim de você” (2009).

Ilusão é doce, segundo dizem. Tem quem goste do fácil brigadeiro e quem prefira o trabalhoso marzipan.

O problema é que não tem ilusão que não despenque de onde está, algum dia. Por mais que se esforce para não ver, a realidade está lá e, mais cedo ou mais tarde, ela rompe o dique que se construiu.

E é quando tudo pode parecer muito amargo pra você... Esse é o preço que você paga pelo tempo da doce ilusão perdida.

Gostei de uma frase que li no Face, outro dia: “Let your past make you better, not bitter.” “Permita que o passado torne você melhor, não amarga.”

Os anos passam pra todas nós e vêm trazendo mais que desilusões e golpes duros de realidade. Eles revelam nossa força e inteligência, nossa capacidade de amar e de tornar nosso entorno um lugar mais agradável. Eles trazem a alegria dos afetos, aprendizados, pessoas, lugares, oportunidades.

Tente não amargar, azedar, estragar-se na negação da possibilidade real de ter uma vida bacana. (Embora não perfeita, pois vida perfeita já nem é mais ilusão. É puro delírio...!)


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