Não tem ilusão que não
despenque de onde está
Por Maya Wolf
É comum as pessoas sentirem saudades do tempo em que eram
ingênuas. Falarem do tipo de doce de que gostavam e que não se fabrica mais. Um
tempo em que era possível brincar com a realidade, na maioria das vezes, sem
ferimentos sérios.
Mas não sei se o que temos são saudades do tempo em que
éramos enganados pela aparência das coisas ou se nossos dourados devaneios é
que foram sendo abandonados pelo caminho, com sintomas de inanição pela falta
de doce quem ninguém mais faz igual.
Sei que o que conservamos, forte e robusta, sempre pronta
para agir, é a capacidade de autoilusão. Afinal, é gostoso se iludir, embora
possa até dar algum trabalho, como vimos em “Ele não está tão a fim de você”
(2009).
Ilusão é doce, segundo dizem. Tem quem goste do fácil brigadeiro e quem prefira o trabalhoso marzipan.
Ilusão é doce, segundo dizem. Tem quem goste do fácil brigadeiro e quem prefira o trabalhoso marzipan.
O problema é que não tem ilusão que não despenque de onde
está, algum dia. Por mais que se esforce para não ver, a realidade está lá e,
mais cedo ou mais tarde, ela rompe o dique que se construiu.
E é quando tudo pode parecer muito amargo pra você... Esse é
o preço que você paga pelo tempo da doce ilusão perdida.
Gostei de uma frase que li no Face, outro dia: “Let your past make you better, not bitter.” “Permita que o passado torne você melhor, não amarga.”
Os anos passam pra todas nós e vêm trazendo mais que
desilusões e golpes duros de realidade. Eles revelam nossa força e
inteligência, nossa capacidade de amar e de tornar nosso entorno um lugar mais
agradável. Eles trazem a alegria dos afetos, aprendizados, pessoas, lugares,
oportunidades.
Tente não amargar, azedar, estragar-se na negação da
possibilidade real de ter uma vida bacana. (Embora não perfeita, pois vida
perfeita já nem é mais ilusão. É puro delírio...!)

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