segunda-feira, 2 de junho de 2014

VOCÊ NÃO PRECISA SE FACILITAR PROS OUTROS

Seria estupidez se rearranjar inteira, cada vez que alguém chega ou parte

Por Maya Wolf



Pouca gente está contente com aquilo que é. Isso tem um lado que pode ser positivo, porque leva a aprendizagem e superação de limitações (a maioria delas, instalada na cabeça da mesma gente).

Mas também é comum pensar que tudo vai realmente melhorar quando você tiver algo que não tem ou quando estiver com alguém que anda rodeando seus pensamentos. Você parece que foi criada com algum defeito de fabricação, pois se vê insuficiente para suas necessidades básicas e não veio com bateria extra como item de fábrica.

Então, vai atrás de outro e quer chamar isso de amor. Geralmente apoiada em frases mal entendidas, pretensamente românticas, como a que é atribuída a Gabriel García Márquez: “Te amo não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo.” Autoria, essa, bastante improvável.

Pra começar, você não pode se definir pelas pessoas com quem se relaciona. Porque as pessoas vêm e vão. Estão ali e, depois, não estão. Seria estupidez se rearranjar inteira cada vez que alguém chega ou parte.

Você também não é uma coisa só, mas um monte de coisas. Você não é só bonita. Só madura. Só culta. Só empresária. Só mãe. Só esposa. Você é o que viveu, o que leu, o que lhe agradou, o que sacudiu a sua vida, o que descobriu e as mudanças que fez em si.

Agora não pode fazer um resumo de si mesma, como uma dessas adaptações fracas de boa literatura, feitas especialmente para quem vai prestar concurso. Vai faltar pedaço, vai faltar profundidade, vai faltar aquilo que faz de você, você. Você não precisa se facilitar pro outro, só pra se encaixar no espaço que ele pode lhe dar.

No clássico “Layla”, Eric Clapton pergunta: “O que você vai fazer quando você se sente só e ninguém está esperando ao seu lado? Você está fugindo e se escondendo há muito tempo.” Não se esconda atrás de ninguém ou dentro da vida de alguém.  

Tudo bem! É normal querer experimentar a companhia de um homem e se interessar pelo que ele se interessa. Ler o que ele lê. Ouvir o que ele ouve e frequentar os seus lugares preferidos. Aproveite para ampliar seus horizontes. Mas lembre: nada disso define o que você é.

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