Eu ainda vivo num
tempo meu, em que as palavras e gestos são significativos
Por Maya Wolf
Eu não me sinto à vontade num mundo em que as pessoas beijam
só por beijar, dizem por dizer, transam por transar. E depois dizem que não
significou nada.
Pra mim, um beijo tem um significado. Ou muitos.
Quando beijo no rosto, expresso a alegria e o carinho ao
encontrar um amigo ou familiar.
Quando beijo na testa, desejo o bem dessa pessoa e é como se
a abençoasse.
Quando beijo as mãos, transmito respeito e, às vezes,
gratidão.
Quando beijo a boca... bem, depende do beijo.
Quando beijo o sexo, digo que desejo e declaro que me
entregarei aos desejos de nós dois.
Gosto de pensar que há uma interioridade por trás das
palavras, beijos e gestos. Uma razão medianamente profunda, dentro de quem me
fala, me beija, me deseja, assim como os meus movimentos e sons levam ao outro
a demonstração (nem sempre voluntária e medida, mas real) do que estou sentindo.
Eu ainda vivo num tempo meu, em que as palavras e gestos são
significativos.
Não é como sexo-passatempo. Não é como a quantidade de
bobagens que a tevê diz ou mostra, apenas para nos manter entretidos e como se
não tivéssemos importância de verdade, exceto como audiência. Eu não quero estar
com alguém desse modo. Não sou estatística.
Quero entender. Quero participar e quero que funcione aquilo
que temos. Se possível, que fale a minha língua, a língua da minha boca, dos
meus olhos... Acredito em Nelson Mandela quando disse que se falarmos com
alguém numa língua que ele entenda, isso vai para sua cabeça, mas se falamos a
sua própria língua, isso vai para o seu coração. Quero alguém que fale na minha
língua.

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