“Cada um acredita, facilmente, no que teme e no que deseja”
Por Maya Wolf
Por Maya Wolf
Sofrer por “amor” é um antigo clichê músico-literário, tão
sem sentido quanto falso por princípio.
Não se sofre por amor, mas por desapontamento, por exemplo.
Seja por traição ou deslealdade, seja pela tardia descoberta de qualidades que
tornam impossível seguir com o relacionamento: ele é casado, ela é interesseira,
é controlado pela personalidade da mãe, é mentirosa, tem brinquedinhos
estranhos no closet, flerta com qualquer um...
Sofre-se também por saudade ou apego, que são falta e, não,
amor.
O amor não é a causa do sofrer, mas acaba mal afamado. A
causa é frequentemente a própria ilusão. Como escreveu La Fontaine na
introdução às suas Fábulas, “cada um
acredita, facilmente, no que teme e no que deseja”.
Quando você sofre por descobrir quem de fato uma pessoa é,
você está sofrendo pela falsa imagem que antes você tinha. Mas ela nunca foi
essa imagem, de que você tanto gostava e de quem provavelmente vai ter
saudades.
Em Direito, segundo Jesús Hortal, “erro” acontece quando há
um juízo falso da inteligência. Erro de pessoa é um dos casos e inclui uma
situação em que se pode casar com a pessoa errada, imaginando que fosse a
certa, o que anula o casamento.
Em última instância, no seu caso, você se apaixonou por uma
imagem na sua cabeça e se envolveu por acreditar que a imagem fosse a própria
pessoa.
Mas não existe muito consolo na realidade, então é provável
que você queira ainda acreditar nessa imagem, pra sentir que o tempo investido
não foi tempo perdido... Nem sempre vai ser fácil e pode demorar até você
aceitar que se tratava da pessoa errada.

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